Gasolina, GNV e botijão de gás mais caros afetam bolso no início de 2019

O taxista Rafael Messias Martins de Souza, de 35 anos, trabalha nas ruas de São Paulo há 9 anos e sentiu no bolso o aumento do preço dos combustíveis ao longo de 2018. No começo do ano, abastecia o carro com etanol, mas migrou para o GNV — o gás veicular — há cinco meses para tentar economizar.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a gasolina (7%), o GNV (26,4%) e o gás de cozinha (4,3%) ficaram mais caros, enquanto o etanol apresentou redução no preço do litro (-1,7%) — veja os preços na tabela abaixo.

Embora tenha sido o combustível com aumento mais expressivo e o preço do etanol tenha recuado em 2018, o GNV ainda é mais vantajoso para Rafael. O taxista gasta cerca de R$ 40 por dia, frente aos R$ 90 de quando abastecia com etanol, para rodar de 150 km a 200 km.

Segundo Rafael, o cilindro do GNV é menor e tem um bom rendimento, o que faz com que o combustível valha mais a pena.

Mesmo gastando menos, Rafael percebe que o combustível tem pesou mais no bolso ao longo do ano. “[O preço] aumentou, mesmo o do gás. Desde o ano passado, sempre vem aumentando. Eles aumentam rápido nos postos e quando sai notícia de que baixou, demora para baixar nas bombas”, afirma.

Mordida no bolso

Assim como para Rafael, a população em geral sente o aumento do preço dos combustíveis no bolso, sem exceção, segundo a professora de economia do Insper Juliana Inhasz. O que varia é o grau de impacto no orçamento de cada um.

Juliana afirma que, como o transporte de cargas brasileiros é baseado nas rodovias, o aumento dos preços deixa o deslocamento mais caro. Além disso, todos os insumos derivados do petróleo também pesam mais, como o plástico e a borracha.

Com o aumento dos preços dos combustíveis, o preço da mão de obra brasileira também fica maior, já que o transporte do trabalhador até a empresa fica mais caro — tanto para quem anda de transporte público como quem prefere os veículos particulares.

“Todo mundo vira o ano ganhando a mesma coisa, mas o aumento dos preços dos ônibus faz o dinheiro do brasileiro perder poder de compra”, explica. Isso significa que, com os mesmos R$ 100 de 2018, será possível comprar menos itens em 2019.

O coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) do FGV IBRE, André Braz, afirma que o aumento dos preços dos combustíveis foi motivado pela desvalorização cambial do real e pelo preço do petróleo no mercado. No entanto, Braz diz que o cenário “já foi pior”.

“No período pré-eleição, chegamos aos R$ 4,20. Dos R$ 4,20 para os R$ 3,90 existe uma desvalorização que foi favorável para a redução dos preços dos combustíveis [no final do ano]”, explica.

Em maio deste ano, o preços dos combustíveis foram diretamente impactados pela greve dos caminhoneiros, que afetou o abastecimento em postos de todo Brasil. De maio para junho, gasolina, GNV, etanol e gás de cozinha ficaram mais caros para os brasileiros (veja no gráfico abaixo). Para Braz, os efeitos da paralisação foram superados ao longo do ano.

“A gente tinha uma certa dúvida se os efeitos teriam sido superados completamente”, afirma. Porém, o professor da FGV diz que o maior efeito da greve foi a inflação do mês de junho, a maior alta para o mês desde 1995, quando o indicador atingiu 1,26%

Braz diz que os efeitos foram superados, já que ficaram concentrados em alimentos in natura e nos combustíveis. Segundo ele, a prévia da inflação de dezembro mostrou altas taxas no acumulado do ano para a gasolina (10,5%) e para o diesel (10,8%), por exemplo, dados mais relacionados com a desvalorização cambial do que com a greve, segundo Braz.

Para Juliana, do Insper, o impacto da greve que ainda pode ser visto é a revisão da política de preços da Petrobras. “A greve em si já ficou no passado”, comenta.

Etanol em queda

O etanol foi o único combustível que fechará 2018 com preços menores do que dezembro de 2017. Segundo Braz, o movimento dos preços do etanol é diferente.

“Ele não é um derivado de petróleo, então a lógica é diferente”, explica, já que o combustível depende do desempenho da safra da cana-de-açúcar e não da compra e venda de petróleo.

Juliana afirma que, mesmo não sendo produzido do petróleo, o etanol tende a seguir os preços dos combustíveis deste mercado. “Quando tem muita alta na gasolina, as pessoas migram para o etanol”, explica.

Nos momentos que há redução do preço da gasolina, movimento que aconteceu de outubro a dezembro deste ano, as pessoas tendem a voltar aos antigos hábitos de consumo e deixar o etanol de lado. “Começou a sobrar um pouco de etanol, o que faz com que o preço vá para baixo”, explica Juliana.

Art/R7

Fonte: R7

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