Cultura também para os pequenos

Não é de hoje que o público infantil tem se apresentado como um nicho em potencial para vários setores da economia. Nessa onda, produtos culturais não ficam de fora e, a cada ano, surgem novos compositores, autores e roteiristas brasileiros com trabalhos voltados aos pequenos. Porém, mais que apenas entretenimento, os profissionais da área buscam alternativas para envolver, estimular o interesse pela linguagem em questão e, ainda, criar um ambiente que traga conhecimento para ampliação de repertório cultural da criança. Neste universo, o cenário nacional se atentou à tendência e a lista com grupos musicais, livros, além de séries e filmes brasileiros só cresce.

Se as antigas cantigas de roda continuam sendo as preferidas de muitos pais, grupos como “Palavra Cantada”, formado por Paulo Tatit e Sandra Peres, abriram as portas para uma música infantil com erudição, aquela que preza pela elaboração das letras, melodias e arranjos para uma escuta poética e sensível. Na última década, outros grupos como “Tiquequê”, “Badulaque”, “Parampampam”, “Grandes Pequeninos”, além de cantores já conhecidos como Fernanda Takai, Arnaldo Antunes e Zeca Baleiro também dedicaram-se a projetos específicos para este segmento. Na maioria das vezes, mesclam repertório autoral, valorizando ritmos brasileiros, sempre com uma linguagem lúdica que traz diversão, arte, cultura e educação por meio da música.

Porém, há projetos que se arriscam ir além, levando em conta que as crianças de hoje já nascem inseridas na tecnologia, rodeada por tablets e celulares. Assim nasceu o projeto “Mundo Bita”, que desde 2012 usa talentos musicais do país para desenvolver canções para crianças de até 2 anos com temáticas do dia a dia. Atualmente, o projeto ampliou e mostra o resultado de uma combinação de músicas, cores e aprendizado. Por meio de clipes musicais autorais, modernos e educativos, se tornou conhecido em todo o Brasil e já está presente em diversos canais de televisão a cabo, além do canal do YouTube. A cada novo tema, um cantor é convidado a participar como foi o projeto com o cantor Jairzinho e a cantora Vanessa da Mata. Audiovisual
Já no ramo audiovisual, se até a década de 90 os filmes Walt Disney Pictures lideravam em absoluto o segmento de filmes infantis de animação, teve de repartir o filão com outros estúdios de animação, como a Pixar, que deram uma guinada no gênero, com uso de muita tecnologia digital. O ramo no Brasil também começou a receber investimentos, ainda que timidamente, e já possui exemplos com roteiros bem estruturados e produções de alta qualidade. Tanto que, em 2016, o filme “O Menino e o Mundo”, do diretor Alê Abreu, foi indicado ao Oscar como Melhor Animação, perdendo para o gigante “Divertida Mente”, megaprodução da Pixar, numa disputa de U$ 500 mil contra U$ 175 milhões.

Para conteúdos de televisão e internet, por sua vez, as produções audiovisuais educativas e culturais também crescem a cada ano, sobretudo via streaming ou canais pagos. Por isso, roteiristas brasileiros se empenham em desenvolver histórias para filmes, animações e séries com uma linguagem atrativa e inteligente, em que as crianças se divirtam, mas, sobretudo, sintam-se instigadas a pensar. Os temas são os mais variados: de espionagem, com “Detetives do Prédio Azul” (que virou filme), e, para os menores, “Show da Luna”, animação produzida pela produtora TV Pinguim, que lançou “Peixonauta”, e estreou no Discovery Kids em 2009. Em Londrina, a produtora Kinopus produziu a série de TV documental, “Brincando com a Ciência” e a série de TV ficcional, “Super Família” que foi ao ar em TV’s públicas.

Uma animação brasileira recente, contudo, em especial, caiu nas graças das crianças e adultos: “Irmão do Jorel”, criada por Juliano Enrico e coproduzida pela Cartoon Network Brasil e a Copa Studio. A série, cujos personagens eram originalmente de quadrinhos, ganharam um concurso da emissora que visava estimular animações nacionais em 2009 e foi a primeira série animada produzida pelo canal na América Latina. De forma divertida, a história é envolta pela forma como uma criança lida com as situações problemáticas da infância por pertencer a uma família nada tradicional.

Literatura
No ano em que a obra de Monteiro Lobato caiu em domínio público, várias editoras estão relançando clássicos do autor, que, até hoje, é considerado um dos principais escritores da literatura infantil. Contudo, além dos clássicos, nomes contemporâneos despontaram. Escritores como Ilan Brenman, autor do sucesso “Até as Princesas Soltam Pum”, que desfaz a áurea dos contos de fada para a realidade das crianças, e o livro mais recente, “O Sapo e os Meninos”, cujo conto popular aborda o respeito ao animais. Na literatura infantil há, ainda, vários ilustradores que se dedicam à arte de dar vida às histórias. Um deles é Fernando Vilela, ilustrador, que já ilustrou mais de 60 livros para crianças e jovens para editoras brasileiras e estrangeiras dentre os quais treze são de sua autoria, dentre eles, o livro “Abrapracabra!”.

Fonte: FL

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