Por que crianças deveriam usar mais tecnologia e não menos, segundo este filósofo

Em vez de recriminar os filhos pelo uso frequente de dispositivos móveis ou videogames, os pais deveriam ver a tecnologia como parte essencial da infância de hoje e se juntar às crianças nessas atividades. É o que defende Jordan Shapiro, professor de filosofia e autor do livro The New Childhood: Raising Kids to Thrive in a Connected World(“A nova infância: criando filhos para prosperar em um mundo conectado”, em tradução livre). O filósofo vai contra a linha de educadores, como a psicólogoa Sharon Thomas que afirma ser “crime dar um celular para uma criança de 5 anos”.

Em sua obra, Shapiro afirma que, ao se apropriarem das tecnologias, as crianças de hoje estão “se encontrando” tal qual as gerações anteriores fizeram à sua maneira. Ao limitar a forma com que os filhos usufruem dessas ferramentas, os pais estariam nada menos do que obrigando-os a seguir suas próprias concepções de lazer e diversão.

“Seu trabalho como pai ou mãe não é impedir que ferramentas desconhecidas interrompam sua imagem nostálgica da infância ideal”, escreve ele. “Em vez disso, é preparar seus filhos para viver em uma vida ética, significativa e realizada em um mundo em constante mudança.”

A preocupação exacerbada com esse contato, segundo ele, ignora também os benefícios que ele proporciona à infância. Ao participar de um jogo online, por exemplo, uma criança poderia ter contato com outras realidades, culturas e até mesmo nacionalidades. Há ainda o fato de que as crianças frequentemente usam os dispositivos para fins educacionais ou criativos. “Afinal, a vida é sempre vivida por meio das ferramentas dos tempos. Ferramentas digitais agem como uma ponte entre experiências individuais e comuns”, afirma.

Para Shapiro, a postura ideal dos pais diante desse uso seria a de participar ativamente da rotina digital de seus filhos – juntando-se a eles nas atividades que exercem. As escolas também teriam um papel importante ao abraçar as ferramentas e possibilidades trazidas pela tecnologia. “As crianças não são viciadas em seus aparelhos”, escreve Shapiro. “Elas estão os usando sempre que podem porque se sentem abraçadas por eles.”

Outro lado da moeda
Em uma análise sobre o livro, porém, a escritora e repórter do site Quartz, Jenny Anderson, destaca que Shapiro deixa de analisar, com mais profundidade, alguns dos malefícios trazidos pelo uso em excesso de dispositivos. Quando chega ao ponto de prejudicar o sono da criança, por exemplo, o uso pode prejudicar sua saúde mental.

Especialistas também argumentam que, quando passam muito tempo com eles, as crianças também podem acabar deixando de exercer outras atividades importantes para seu bem-estar – como exercícios e até mesmo a socialização.

 

Fonte: Negócios

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