Primeiros resultados científicos do sobrevoo por Ultima Thule são publicados

No primeiro dia de 2019, a sonda New Horizons (que estudou Plutão e suas luas em 2015) fez um sobrevoo pelo objeto transnetuniano 2014 MU69, também conhecido como Ultima Thule, e desde então a NASA já revelou algumas coisas interessantes sobre este peculiar objeto, como seu formato de “boneco de neve” — e, agora, os cientistas da missão publicaram os primeiros resultados científicos do sobrevoo na revista Science.

Ultima Thule está longe, muito longe, do Sol — a uma distância média de 6,7 bilhões de quilômetros —, e o objeto leva 293 anos para completar uma órbita ao redor do nosso astro. A New Horizons foi lançada em janeiro de 2006, e isso significa que a nave levou 13 anos para chegar à região do Cinturão de Kuiper onde o MU69 se encontra.

Foto de Ultima Thule tirada pela New Horizons (Foto: NASA)

Foto de Ultima Thule tirada pela New Horizons (Foto: NASA)

Acredita-se que objetos como Ultima Thule, a essa distância do Sol, permaneceram praticamente inalterados desde sua formação, que remete à formação do Sistema Solar, e por isso estudá-los é tão importante. Em tal distância, há pouca radiação solar penetrando suas superfícies, e esses objetos, pouco afetados pelo calor solar, podem ser considerados verdadeiros fósseis espaciais. O MU69 é como uma cápsula do tempo capaz de nos fornecer informações sobre as condições do Sistema Solar na época em que a Terra ainda estava se formando.

Voltando à análise de Ultima Thule, o objeto é, na verdade, a junção de dois pequenos lóbulos grudados, que devem ter se chocado a uma velocidade tão lenta a ponto de não ter havido um impacto, apenas um encaixe sutil. Ambas as partes do MU69 são um pouco achatadas, como panquecas, e “nunca vimos nada assim em nenhum outro lugar do Sistema Solar”, conforme declarou Alan Stern, principal investigador da missão New Horizons.

(Imagem: NASA)

(Imagem: NASA)

Os cientistas descobriram ainda que Ultima Thule tem pouquíssimas crateras de impacto em sua superfície e, ainda que algumas características geológicas individuais tenham sido identificadas nos dois lóbulos, a cor geral do objeto e sua composição são, em sua maioria, uniformes. MU69 não tem luas, anéis e tampouco uma atmosfera, também não emitindo gás nem poeira ao espaço. Isso significa que o objeto entrou em contato com poucos outros objetos espaciais desde sua formação.

Sua cor avermelhada ainda é um mistério — pode ser resultado de macromoléculas orgânicas produzidas pela quebra das moléculas mais simples via irradiação, que pode ser causada por silicatos intemperizados pelo espaço. Contudo, ainda que seja praticamente todo da mesma cor, o objeto apresenta algumas variações sutis na coloração, que a equipe ainda está buscando entender.

Mapa geomorfológico de MU69 (Imagem: NASA)

Mapa geomorfológico de MU69 (Imagem: NASA)

Os cientistas da New Horizons continuam estudando a imensidão de dados que a sonda vem enviando para cá desde janeiro, quando fez o sobrevoo por Ultima Thule. Este primeiro documento científico com as análises do objeto foi elaborado com base em 10% dos dados coletados até então — ou seja: ainda tem muito mais descobertas por vir, com a nave terminando de enviar informações em algum momento do ano que vem, somente.

Fonte: msn

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