As dores e lesões de Caio e Nory rumo à dobradinha histórica da ginástica no Pan de Lima

Era 9 de maio, e Caio Souza dava entrada no hospital para passar por uma cirurgia no tornozelo esquerdo. Não sabe explicar até hoje os detalhes técnicos, mas começava ali a correr contra o tempo. Em pouco mais de dois meses, teve dúvidas, mas se recuperou a tempo de fazer história. Na noite de segunda-feira, em Lima, o ginasta conquistou o ouro na disputa do individual geral. Ao seu lado, Arthur Nory completou a dobradinha brasileira ao levar a prata. Os dois cravaram seus nomes como os primeiros do país a conquistar uma medalha na prova nos Jogos Pan-Americanos.

Até a noite de segunda, o próprio Caio era quem tinha chegado mais perto do feito. Em 2015, em Toronto, ficou em quarto lugar, a poucos décimos do pódio. Quatro anos depois, porém, foi além.

– Do início ao fim, não podemos pensar no resultado. Precisamos pensar aparelho por aparelho, elemento por elemento. Eu vim muito focado para isso. Eu saí do Brasil e avisei: “Eu vou fazer história nesse Pan”. E eu consegui. A gente conseguiu. Não uma, mas duas medalhas. No lugar mais alto do pódio. Então eu acho que o trabalho em conjunto foi feito da melhor forma possível.

Caio Souza e Arthur Nory fazem dobradinha no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

Caio Souza e Arthur Nory fazem dobradinha no Pan de Lima — Foto: Ricardo Bufolin / Panamerica Press / CBG

Caio e Nory são praticamente inseparáveis. O primeiro, como faz questão de ressaltar, é nove dias mais velho que o amigo – os dois têm 25 anos. No caminho até a prata, o segundo também teve seus percalços. Pouco antes do Pan, Nory descobriu que sofre de condromalácia, um desgaste crônico na cartilagem do joelho. O problema não tem cura. Por isso, precisou aprender a lidar com a dor e a viver cada detalhe de suas séries com intensidade.

– Essa medalha estava engasgada. A última vez competi seis aparelhos foi na Olimpíada. É uma competição puxada. Eu chorei no canto com meu técnico no fim. Havia uma incerteza se eu viria ao Pan por causa do meu joelho. Depois que descobrimos o problema, uma força-tarefa foi feita. O Caio também teve esse problema na cirurgia. Foi toda uma preparação. A cada série que a gente acertava, era um desabafo. Ficamos sabendo qual seria a equipe na quinta e viajamos no sábado. Foi uma coisa muito intensa. Estamos bem unidos, treinamos bastante para estar aqui. E somos emoção. Vibramos a cada série certa, choramos a cada erro. Esse é o espírito. Nós nos conhecemos muito bem, sabemos o que o outro precisa ouvir, o que o outro precisa de ajuda. É o trabalho em equipe.

Os dois ainda têm chances de voltar ao pódio em Lima. Caio ainda disputa duas finais, nas argolas, nesta terça, e nas paralelas, na quarta. Nory vai buscar o ouro no solo, também nesta terça, na barra fixa e também nas paralelas.

– Final é final. Não temos como mensurar isso (chances de medalhas). Temos de fazer nosso trabalho – afirmou Caio.

Fonte: globoesporte

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