Após apanhar da polícia em 2014, ‘corintiano de Hong Kong’ diz ter medo de voltar à prisão

Ken Tsang chamou a atenção dos brasileiros ao ser preso e espancado por policiais durante protesto, vestido com camisa de torcedor do Corinthians. Agora, ele voltou a participar de manifestações de rua em Hong Kong.

Ken Tsang, o ativista de Hong Kong que ficou famoso no Brasil por ser agredido por sete policiais durante uma manifestação em outubro de 2014, usando uma camisa de torcedor do Corinthians, voltou a participar de atos políticos no território semi-autônomo neste ano, e diz que está com receio de ser preso novamente.

“Sou fã do Corinthians”, declara Tsang. O assistente social de 44 anos virou torcedor do clube paulista por causa de uma namorada brasileira. Ele a conheceu na Argentina e ela o trouxe ao Brasil. Aqui, ele virou corintiano, afirma.

Ele estava em São Paulo, em 2014, quando começou uma onda de protestos em sua cidade. Quando voltou para Hong Kong, começou a participar das atividades do Movimento Guarda-Chuva, assim nomeado porque os manifestantes usavam o objeto nas manifestações.

Manifestante carregando guarda-chuvas amarelos participam de protesto pró-democracia em Hong Kong em imagem de 2015 — Foto: Vincent Yu/APManifestante carregando guarda-chuvas amarelos participam de protesto pró-democracia em Hong Kong em imagem de 2015 — Foto: Vincent Yu/AP

Em um dia de protestos, ele foi detido por policiais que, em vez de levá-lo à prisão, o encurralaram e o agrediram. Havia uma equipe de TV no local, e a agressão foi transmitida ao vivo durante cerca de quatro minutos, de acordo com ele.

Sete agentes foram presos por causa do ataque. Posteriormente, as penas deles foram reduzidas.

Postagem de 2014 da página do Partido Cívico em uma rede social mostra Tsang ferido — Foto: Reprodução/Facebook

O próprio Tsang, que apanhou com as mãos algemadas, também foi detido – ficou um mês na prisão.

“Fui preso pela acusação de ter agredido policiais. Não fiz isso, mas 11 policiais testemunharam e disseram que, antes de eu ter sido detido, os teria agredido. Minha prisão foi uma forma de balancear a pressão e acalmar a polícia”, diz Tsang.

Democracia de Hong Kong

O Movimento Guarda-Chuva era de luta pela democracia, afirma Tsang. “Nós pedíamos sufrágio universal para elegermos o líder — nós não chamamos o ocupante do cargo de presidente, mas de chefe-executivo.”

“Temos um conselho parlamentar, mas só metade dele é escolhido por eleições diretas, pelo povo, o resto é escolhido pelo governo chinês, empresários e algumas categorias profissionais, como advogados – nós dizemos aqui que são as pessoas que têm dois votos.”

Grupo de pessoas com guarda-chuvas participa de um protesto contra a lei de extradição em Hong Kong em agosto de 2019 — Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters
Fonte:G1

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