Pescadores pedem diálogo sobre requalificação da Beira-Mar, em Fortaleza; projeto prevê 18 galpões para barcos

A estruturação de barracões é demandada há anos; profissionais da pesca querem discutir tamanho do novo espaço e destino das embarcações.

O projeto de requalificação da Avenida Beira-Mar, em Fortaleza, prevê a implantação de um novo espaço para os pescadores da Enseada do Mucuripe, tradicional área de pesca na orla da capital cearense. Ao todo, serão instalados 18 barracões para a guarda de embarcações, sendo 572 unidades de escaninhos. Mas, os pescadores reclamam da falta de diálogo por parte da Prefeitura de Fortaleza e demonstram apreensão sobre o período em que o espaço ficará sob intervenção.

A área do Mucuripe, nas proximidades do Mercado dos Peixes, guarda tradicionalmente centenas de embarcações, dos mais variados tamanhos. Algumas dezenas ficam ancoradas no mar, enquanto outras passam por manutenção dos pescadores na faixa de praia. No diagnóstico da Prefeitura, na licitação das obras, o uso da área é caracterizado como “desordenado”, abrigando ocupação por pescadores, esportes náuticos e passeios turísticos.

As chamadas “guarderias de embarcações” abrigarão os veículos em três localizações. A maior terá 10 galpões. Parte das estruturas será revestida de fibra de vidro, material mais adequado para proteção contra maresia. A licitação segue aberta até o dia 26 de setembro. O valor global das obras é de R$ 6,9 milhões. A construção de quiosques para a Feirinha da Beira-Mar está inclusa no pacote.

“Eles não apresentam nada pra gente. Querem tirar é a gente daqui da praia”, diz o pescador Antônio Rodrigues, 50 anos. Ele atua na atividade desde os 12 anos e avalia “se forem mesmo fazer, vão tirar as navegações daqui e botar onde? Dentro d’água, elas não podem ficar o tempo todo porque são ocas. Tem que ficar na terra também. Ninguém sabe como vai ficar isso aqui não”.

Outros profissionais do mar que não quiseram se identificar manifestaram desconhecimento quanto ao projeto. “A gente passa seis, sete, oito dias lá fora. Vão terminar tudo antes que a gente volte?”, criticou um deles. Já para outro pescador, Anísio Gonzaga, 66 anos a “limpeza” da enseada é necessária por causa do lixo e de embarcações abandonadas.

Demanda antiga

Conforme o presidente da Colônia de Pescadores Z-8, Possidônio Soares, a demanda pelas guarderias é bastante antiga. No entanto, ele alerta para a falta de diálogo com os principais afetados pela mudança.

“A Colônia tem que ser procurada pra não fazerem um barracão menor, tipo quitinete. Tem que ter altura e largura certas, senão como o barco entra? Não é pra empresa chegar sem consultar”, explica. Ele também afirma que não participou de discussões sobre um local temporário para a realocação dos barcos durante a obra.

A titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), Manuela Nogueira, garante que a intervenção obedece ao projeto do concurso de ideias de 2012, que replanejou o ordenamento da Beira-Mar como produto de um processo judicial.

“Provavelmente, teve essa conversa em 2012. Qualquer alteração tem que ser aprovada junto ao Ministério Público Federal e com a Justiça”, afirma, ressaltando que a Secretaria Regional II procurará os pescadores antes do início da obra. “Se precisar de alguma adaptação, e que diante da lei possa ser feita, não tem negativa nenhuma”, diz a secretária. Segundo ela, a Regional II deve discutir com os profissionais o local provisório para a guarda das navegações.

Fonte: G1

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