Drag queen cearense e transexual fazem sucesso na internet com streamings de games de ação

De passagem por Fortaleza para participação na festa ‘Fica, Vai Ter Pop!’, Samira Close e Rebeca Trans falam sobre representatividade e o início como “streamers”.

A cearense Samira Close e a paulista Rebeca Trans se tornaram nomes conhecidos do mundo ‘gamer’. Entre os jogos e streamings, denominação utilizada na internet para definir as transmissões de partidas ao vivo, Samira, que é Drag Queen, e Rebeca, transexual, colecionam altos números de visualização em plataformas de vídeos e se tornaram referência para fãs de jogos eletrônicos online, incluindo massivamente a parcela LGBT+ imersa nesse universo.

As duas chegam a Fortaleza para apresentação na festa “Fica, Vai Ter Pop!”, realizada neste sábado (14), no Complexo Armazém, dessa vez com uma temática direcionada tanto para a música pop como para os jogos.

Redes Sociais

Samira, que mora em São Paulo, acumula mais de 256 mil seguidores no Instagram e 384 mil inscritos em seu canal do Youtube, onde divulga vídeos de games como Free Fire e Cyber Hunter. Enquanto isso, Rebeca, considerada uma revelação no segmento, possui mais de 100 mil inscritos no Youtube e chega a uma média de 60 a 80 mil visualizações por vídeo. A dupla chega a colaborar em transmissões de jogos, nos quais são acompanhadas pelos fãs.

Rebeca Trans acredita que os jogos dão visibilidade para ela, mas afirma que ainda há muito preconceito — Foto: Reprodução

Apesar do sucesso, a cearense e a paulista relatam as dificuldades em fincar espaço de visibilidade nesse cenário. “Ainda existe muita gente preconceituosa”, pontua, de cara, Rebeca Trans. Segundo ela, o reconhecimento é crescente, mas a falta de aceitação ainda é algo com o qual precisa lidar.

“Existem pessoas que não vão abrir minha live por eu não ser mulher, por não ser um homem hétero. Mesmo assim, o apoio vindo da comunidade LGBT é muito grande atualmente”, explica Rebeca.

Para Samira, a chegada da dupla no universo gamer causou um “susto” no meio na época. “Além de eu pertencer à comunidade, ainda tinha o fato de eu ser uma drag. Naquela etapa inicial, era algo que não se via com tanta frequência. Eu resolvi tentar fazer tudo de uma forma muito diferente e dava para perceber que era algo ainda mal visto”, explica. Hoje, ela comenta, a relação com a internet tem se tornado mais simples e positiva.

Início

O começo simples nas locadoras ou nos videogames emprestados de amigos tornou as conquistas ainda mais significativas, conta Samira. Na época, os recursos ainda eram limitados, porém o encantamento já era grande. “Desde criança eu já jogava, mas era comum usar algo emprestado de alguém. Depois de mais velho, participei de lives de amigos e percebi que o público gostava de mim. A partir daí, fui investindo aos pouquinhos”.

Samira Close diz que no início em que começou a realizar os streamings foi um "susto" para muita gente — Foto: Reprodução

Já para Rebeca, os games são “grande parte da vida”. O que antes era brincadeira, iniciada com uma amiga próxima em casa, virou alavanca para outros aspectos profissionais. “Faz parte da minha história. É o que eu faço, é o meu trabalho e o que me mantém viva”, reitera.

Representatividade

Se antes os vídeos de streamers eram voltados para um público específico e, em maioria, formado por homens, Samira e Rebeca enxergam o trabalho realizado por elas não como uma alternativa, mas como um complemento. Com isso, as discussões acerca da representatividade não conseguem ser deixadas fora de questão.

“É algo bem bacana. A preocupação vem pelo fato de que representar um público tão grande acaba trazendo uma responsabilidade e causa uma preocupação. Mesmo assim, acho que poder abrir algumas portas para pessoas como eu, seja no mundo gamer ou para outras drags que também estão apostando na música e possibilitam oportunidades para nós, é muito importante e gratificante”, afirma Samira Close.

Rebeca vai além das características do conteúdo e ressalta como isso pode ajudar em aspectos práticos da vida de muitas pessoas. “São oportunidades de emprego para LGBTs. É um nicho não tão grande para nós ainda, mas estamos lutando para ver o nosso trabalho respeitado”, define.

Fonte: G1

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