Rock in Rio 2019: Bolsonaro, Amazônia e violência foram temas de protestos no palco e na plateia

Telões mostraram imagens da vereadora Marielle Franco e da menina Àgatha Félix. Também houve manifestações que partiram do público do festival.

O Rock in Rio foi cenário de sete dias de música, mas houve momentos de protestos no palco e na plateia. Foram vistas desde manifestações em defesa das minorias e de revolta com a violência policial até xingamentos contra o presidente:

  • Em pelo menos onze momentos do festival, fãs protestaram contra Bolsonaro. Nenhum artista citou diretamente o nome do presidente.
  • As mortes da vereadora Marielle Franco, da menina Àgatha Félix e do músico Evaldo dos Santos Rosa foram lembradas na Cidade do Rock.
  • As queimadas na Amazônia e a violência contra as mulheres foram criticadas
  • Artistas usaram o intervalo entre as músicas para fazer alertas sobre saúde mental
Shows do Rock in Rio têm protestos contra Bolsonaro

Shows do Rock in Rio têm protestos contra Bolsonaro

No primeiro fim de semana, os protestos contra o presidente aconteceram em pelo menos seis momentos.

Gritos foram ouvidos durante a apresentação dos Detonautas com Pavilhão Nove, da veterana Elza Soares, da banda Plutão Já Foi Planeta e dos Titãs com Edi Rock e Ana Cañas, ambos no Palco Sunset; e nos shows dos Raimundos com o CPM 22 e de Alok, no Palco Mundo.

Apesar de ser comum os artistas se envolverem em manifestações politizadas durante os shows, os gritos foram todos puxados pela plateia, independentemente de quem estava se apresentando.

No segundo final de semana, o público também gritou contra o presidente nos shows de Capital Inicial, Francisco, el Hombre e Projota, e antes do show de Anitta.

Houve também manifestação durante o show do Black Eyed Peas, quando Will.i.am disse que amava “bossa nova” e a plateia entendeu que o rapper estava falando de Bolsonaro.

Em todos os casos, as manifestações aconteceram após músicas mais politizadas ou discursos dos artistas que não citavam diretamente o nome de políticos.

Violência no Rio

A violência na cidade do Rio de Janeiro também foi pauta de protestos nos primeiros shows do palco Sunset na sexta (27).

Após cantar a primeira música, Linn da Quebrada falou: “Pelo fim do genocídio da população negra, parem de nos matar! E isso não é um pedido!”, após cantar “Bomba Pra Caralho”. A cantora trans era uma das convidadas de Karol Conka.

Mais cedo, Lellê homenageou a menina Ágatha Félix, assassinada no Complexo do Alemão. No telão também foi exibida uma foto de Marielle Franco.

Já na quinta (3), no Espaço Favela, o rapper carioca Dughettu, 40 anos, usou uma blusa de tricô com 80 buracos e uma máscara de bate-bola em sua estreia no Rock in Rio.

O músico disse que decidiu lembrar, entre outros casos no Rio de Janeiro, as mortes de um músico e de um catador em Guadalupe, Zona Norte do Rio, ocorrida em abril.

Rapper Dughettu se apresenta no Espaço Favela

No mesmo dia, três shows do palco Sunset tiveram protestos com o mesmo tema. No encontro de rappers com a Nova Orquestra, Hip Hop Hurricane, Baco Exu do Blues falou “A cultura hip hop ensinou que, se tivermos saúde, cultura, lazer e educação, pra que precisa de uma arma na minha mão?”.

O rapper baiano dividiu o palco com Rael, Agir e Rincon Sapiência no último show da noite.

No telão do show de Emicida com as irmãs franco-cubanas do Ibeyi, Marielle Franco e Ágatha Félix também foram homenageadas.

Emicida e Ibeyi homenageiam Marielle Franco no Rock in Rio

No show de Francisco, el Hombre, além de Ágatha e Marielle, imagens da ex-presidente Dilma Rousseff apareceram no telão.

Amazônia

Entre uma troca e outra de figurino de Anitta, as frases “Você precisa de ar” e “Nosso desafio é sobreviver” apareceram no telão. A cantora costuma falar sobre os problemas ambientais e defende os animais em suas redes sociais.

Show de Anitta faz menção à Amazônia no Rock in Rio

Já no show do Black Eyed Peas, o sucesso “Where is the Love” foi dedicada à Amazônia.

Fafá de Belém pediu atenção às queimadas na região, mantendo o tom de protesto ecológico que caracterizou a apresentação. A cantora dividiu o palco com Dona Onete, Gaby Amarantos, Lucas Estrela e Jaloo no show “Pará Pop”.

Pará Pop: Fafá de Belém canta no palco Sunset nesta quinta (3), no Rock in Rio — Foto: Graça Paes/AgNews

Violência contra mulheres

O show de Elza Soares misturou elementos musicais com protestos e tom político no domingo (29). Em um momento da apresentação, a veterana carioca iniciou o hino feminista “Maria da Vila Matilde” e conclamou o público a denunciar a violência contra as mulheres no Brasil.

“Mulheres, gemer só de prazer. A realidade agora é outra. Chega de sofrer calada. Ligue 180”, disse a cantora durante o show, referindo-se ao número da Central de Atendimento à Mulher.

Rock in Rio 2019: Elza Soares faz show no palco Sunset neste domingo (29) — Foto: Alexandre Durão/G1

No sábado (28), Ana Cañas cantou com o Titãs e teve um problema com o figurino no palco. No dia seguinte, a cantora falou sobre o incidente em suas redes sociais e relatou que recebeu “muitos comentários reacionários da sociedade brasileira patriarcal chocada com mamilos cobertos por corações de cristal”.

Ela aproveitou para falar sobre a objetificação dos corpos femininos e sobre o alto número de feminicídios.

Saúde mental

Na primeira noite do festival, Alok abriu o palco Mundo com um show “motivacional” e fez um discurso positivo. “Vamos seguir o caminho do amor porque nele a gente encontra a felicidade. Vocês sabem muito bem o que não é amor: violência, preconceito, intolerância, guerras. Exclui tudo isso e o que sobra é o amor. Coisas positivas no palco”, disse o DJ.

Já no domingo (29), a cantora inglesa Jessie J apresentou seu “pop do bem estar” no Rock in Rio, com várias mensagens motivacionais e conversou com o público. “Quantas pessoas aqui são fortes? Levante a mão. Quem não levantou, levante. Eu estou dizendo que você é forte.”

Jessie J no Rock in Rio... Ou Coach in Rio?

Após o show, a cantora disse ao G1 que tenta ser uma “coach” no palco. “Eu fico tentando inspirar todos que tenham um sonho que sejam eles mesmos”.

No último dia do festival, Dan Reynolds, vocalista do Imagine Dragons, mandou um recado para quem sofre de depressão.

Durante a música “Demons”, ele disse que foi diagnosticado com depressão e ansiedade, e mostrou uma mensagem escrita num tecido, onde se lia: “Sempre vale a pena viver”.

Fonte: G1

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