Policiais acusados por corrupção no Ceará terão celulares enviados ao RJ para extração de dados

Policiais exigiam até R$ 20 mil de empresários sob ameaça de fechar comércios no interior do Ceará.

Os aparelhos celulares de dois oficiais da Polícia Militar do Ceará (PMCE), investigados na Operação Espanta Raposa, deflagrada em março deste ano, passarão por uma nova extração de dados. Os PMs foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por praticar diversos crimes na Região Norte do estado, como concussão e corrupção passiva.

Em maio, a Justiça do Ceará mostrou interceptações telefônicas que revelaram esquema de extorsão mantido por esses policiais militares. Nas gravações, os agentes ameaçavam aplicar multas e fechar estabelecimentos caso empresários não pagassem valores estipulados por eles.

A decisão da Justiça cearense, por meio da auditoria militar, ocorreu no último dia 3 de outubro e foi obtida pelo G1. Os aparelhos celulares pertencem ao tenente-coronel Paulo de Tasso Marques de Paiva e ao major Francisco Marcelo Nantuã Beserra.

A defesa do major Marcelo Nantuã, representada pelo advogado Oseas de Souza Filho, destacou que o aparelho do oficial se encontra apreendido desde a busca e apreensão realizada em março de 2019. “O ônus da prova cabe ao Ministério Público, portanto, ao Ministério Público é incumbido a responsabilidade de provar todo o teor das acusações formuladas na denúncia. A defesa compreende que as acusações são improcedentes e que a instrução processual vem descortinando a inocência dos acusados”, afirmou.

O advogado do tenente-coronel Paulo de Tasso, comandante da unidade do Batalhão da Polícia de Meio Ambiente (BPMA), não se posicionou sobre a decisão judicial nem sobre as acusações contra o seu cliente.

A extração de dados já havia sido autorizada desde o primeiro cumprimento de mandados de busca e apreensão, em março deste ano. No entanto, o MPCE informou não ter sido possível a extração por causa do sistema de segurança dos aparelhos, da marca Apple.

Por isso, a instituição firmou convênio com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para uma parceria técnica, em que os celulares serão enviados para o outro Estado para a extração dos dados. A decisão judicial estipulou prazo máximo de 20 dias para a realização do procedimento.

Extorsão de R$ 20 mil

Policiais do Batalhão Ambiental foram presos durante operação em Sobral.  — Foto: Maristela Gláucia/Sistema Verdes Mares

Segundo o MPCE, a quadrilha formada dentro do BPMA exigia até R$ 20 mil de empresários de municípios da Região Norte, como Sobral e Tianguá. Para ser atendida, ameaçava apreender materiais, fechar estabelecimentos, efetuar prisões e até matar. Nove oficiais fariam parte do grupo: um tenente-coronel, um major, seis sargentos e um soldado.

A denúncia contra os militares foi aceita pela Justiça Estadual no dia 26 de abril. Quatro meses depois, em 26 de agosto, oito oficiais, que estavam presos desde a deflagração da Operação, foram soltos pela Auditoria Militar. Por quatro votos a um, o Conselho Especial de Justiça entendeu que a liberdade dos militares não prejudicaria o andamento do processo. O nono militar já estava em liberdade.

Fonte: G1

Notícias Relacionadas