Melhor goleiro do mundo, Alisson passa carreira a limpo, comemora prêmios individuais e títulos

Recuperado de lesão no tornozelo, brasileiro pode reforçar o Liverpool no clássico contra o Manchester United neste domingo

Alisson chegou ao auge da carreira aos 27 anos ao ser eleito pela Fifa o melhor goleiro do mundo. Já conquistou outros prêmios individuais, como melhor goleiro da Uefa em 2018/19, melhor da Copa América de 2019, além de homenagens também nos campeonatos italiano e inglês. O sucesso profissional é algo que está na mente desde quando era novo, superar etapas e derrubar a desconfiança sempre fizeram parte dos planos. Ser o melhor do planeta na posição é fruto de um trabalho que rendeu títulos por Liverpool e seleção brasileira. Recuperado de uma lesão no tornozelo, ele pode ser titular pelos Reds no clássico contra o Manchester United neste domingo, fora de casa, pela Premier League.

O GloboEsporte.com acompanha em tempo real neste domingo o clássico entre Manchester United e Liverpool a partir de 12h30 (de Brasília)

– Quando alguém me pergunta defino como uma honra (ser o melhor do mundo). Me senti muito honrado e abençoado por ter conquistado esse prêmio individual, mas isso vem depois do coletivo. Foi um ano muito vitorioso, títulos pelo clube e pela Seleção. Então coroar a temporada com esse prêmio realmente foi uma honra – disse Alisson, que só disputou dois jogos nesta temporada.

A carreira de Alisson foi construída da maneira como ele pensava, sem esperar muito tempo por oportunidades. Aos 20 anos ele teve a primeira chance no time titular do Internacional, quando Dunga era o treinador. Com 22 anos veio a primeira convocação para a Seleção principal, também com Dunga no comando. Com 23 anos foi negociado com a Roma. Na Itália conquistou espaço aos poucos até se tornar um dos destaques do clube.

Alisson em ação pelo Colorado — Foto: Ricardo Duarte / Internacional / Divulgação

Consolidado na Europa, Alisson trocou a Roma pelo Liverpool aos 25 anos, em 2018. Se tornou o goleiro mais caro de todos os tempos na ocasião em uma transferência de € 62,5 milhões (valores fixos, sem incluir as variáveis) – depois o Chelsea pagou € 80 milhões em Kepa. Alisson carregou a desconfiança de parte dos torcedores brasileiros sobre sua qualidade e sequência na Seleção durante muito tempo . Saiu muito jovem do Internacional, diz acreditar que não era tão conhecido no Brasil e explica o motivo.

– Torcedores e jornalistas acompanham mais os jogos dos times das suas regiões. O fato de ter jogado apenas uma temporada e meia no Inter pode ter contribuído para isso. Mas na Europa logo demonstrei meu valor, não jogando tanto quanto eu queria no começo, mas sempre tentando manter meu alto nível. No segundo ano fui considerado o melhor goleiro do Italiano, depois acabei negociado com o Liverpool. Também considerado um dos melhores, estava na Seleção, mesmo assim ainda existia a desconfiança, mas segui trabalhando. Sempre buscando melhorar – avaliou.

O que dá respaldo e respeito são os títulos. É necessário ganhar títulos. E foi só a confirmação do que eu vinha fazendo

Carreira, títulos da Liga dos Campeões e Copa América, importância de Taffarel e até um possível rival brasileiro (Flamengo ou Grêmio) na decisão do Mundial de Clubes do Catar. Alisson abre o jogo, o coração e faz escolhas. Tite ou Klopp? Van Dijk merecia o prêmio de melhor do mundo que Messi levou? Qual título mais importante da carreira? Confira abaixo mais da entrevista com o melhor goleiro do mundo.

Análise da carreira:

– As coisas aconteceram de uma maneira rápida. Eu sempre tive na minha cabeça isso, e para quem trabalhou comigo sempre falava isso, eu queria ser diferente. Queria começar jogando cedo. Quando virei titular do Internacional, na minha cabeça já tinha passado da minha hora. Me preparei muito, estava muito preparado para todas as responsabilidades. Então, acredito que é por isso que consegui fazer um bom trabalho. Claro que algumas pessoas não confiavam, a maioria não conhece o dia a dia.

Importância de Taffarel (preparador de goleiros da Seleção):

– Não nos conhecemos no Internacional, só tivemos algum encontro em uma ou outra visita. Hoje considero o Taffarel como um amigo pessoal, é muito especial para mim e toda minha família. Contribuiu muito nos momentos que precisei de uma pessoa me empurrando para me motivar, ele foi o cara que sempre me manteve muito motivado. Sempre demonstrou isso, teve uma participação grande no meu crescimento como profissional. Quando eu saí do Inter já estava na Seleção, já trabalhava com ele. Sempre foi um prazer.

Alisson ressalta importância Taffarel — Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Goleiros brasileiros superaram jogadores de linha na Europa?

– Acredito que a escola de goleiros da seleção brasileira é muito grande. Agora, falar que ultrapassamos outros jogadores (de linha), não. Cada um tem sua importância, mas fica mais importante com as premiações. Outros jogadores têm oportunidades de serem escolhidos, mas temos prêmios individuais. É uma coisa justa, estamos muito bem na Europa, exemplo disso é que fui eleito (melhor do mundo) e o Ederson estava comigo na disputa. Estamos deixando nosso legado na Europa como Dida e Julio Cesar, espero que as novas gerações possam seguir esse caminho.

Van Dijk merecia o Fifa The Best?

– Assim como minha atuação, a seleção do top-11 da Fifa poderia ter outros jogadores da nossa equipe. Mas o futebol de alto nível aproxima muito. Poderia ter sido outro (o melhor do mundo). Acredito que o resultado não é injusto, lógico que estávamos na torcida pelo Van Dijk. Messi teve bons números, grandes momentos na temporada, só não foi tão decisivo com a seleção, mas com grandes momentos na temporada.

Klopp x Tite

– Ambos os técnicos, além de capacidade, inteligência e entendimento de futebol, têm a gestão de vestiário acima do normal. Por isso são diferentes. Tite é mais ponderado, usa melhor as palavras. Klopp é mais apaixonado, mais explosivo no sentido de expressões corporais durante o jogo. Dá soco no ar, comemora (risos). É um cara muito inteligente em suas declarações. Ambos têm muito carisma, dois técnicos de alto nível. Klopp merecidamente foi nomeado o melhor do mundo. Nunca uma equipe chegou na segunda colocação da Premier League com tantos pontos e ainda levamos a Liga dos Campeões. Nosso maior desafio esse ano é manter esse nível e conquistar o Campeonato Inglês.

Alisson recebe o carinho do técnico Klopp, do Liverpool — Foto: Getty Imagens

Champions x Copa América

– Sinceramente, a única diferença foi a comemoração das torcidas. Com certeza a torcida de um clube demonstra mais amor. O torcedor brasileiro voltou a admirar a Seleção e ter paixão. Foram duas conquistas únicas. Pessoalmente são extremamente importantes, sonhos. Tanto a Champions quanto a Seleção, independente do título. Conquistar um resultado positivo, colocar meu nome na história da Seleção, quero viver isso novamente. Meu objetivo é chegar em 2022 nesse nível e ajudar a Seleção a conquistar a Copa. O caminho é longo.

Seleção sem jogos contra Europeus

– É, sim, uma dificuldade, o ideal seria enfrentar essas equipes. Com estilo de jogo diferente, querendo ou não todas as seleções têm características parecidas. Agora, com certeza, seria bom poder jogar contra os europeus. Se não for viável, temos que passar por cima disso. A maior preocupação é com o nosso time, temos que entrar muito bem nessa Copa (2022). Já com experiência de ter jogado uma Copa é um ponto positivo.

Flamengo ou Grêmio no Mundial? (um deles será finalista da Libertadores ainda)

– (Risos) O Flamengo é uma grande equipe, assim como o Grêmio. São os melhores do Brasil. Lógico que fico na torcida para enfrentar um brasileiro no Mundial, se o Liverpool passar (para a decisão). Tenho um grande amigo que é o Filipe Luís, com certeza será muito divertido jogar contra ele. É um cara que admiro muito, assim como outros do Grêmio. Como o Everton Cebolinha, um grande talento.

“Qualquer um representará muito bem o Brasil. Se for um time argentino também vai dar muito trabalho”

Alisson e Muriel no casamento do goleiro da Seleção — Foto: Arquivo pessoal

Irmão Muriel no Fluminense:

– Converso com ele, com certeza. Quando eu posso, acompanho os jogos. Quando os jogos são mais tarde, aqui é madrugada. É horário de descansar. Mas os últimos jogos consegui acompanhar. O Fluminense passou por uma fase delicada, não só pela zona de rebaixamento, mas pela troca de técnicos. Os nervos estavam à flor da pele. Mas o Muriel está fazendo a diferença, com atuações espetaculares. O time vai precisar muito dele.

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