Colisão de VLTs em Fortaleza segue em investigação 40 dias após acidente

Ao todo, 37 pessoas ficaram feridas, incluindo dois maquinistas. Duas comissões apuram o caso.

A Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor) informou, 40 dias após um acidente que envolveu duas composições do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Fortaleza, que a colisão ainda é apurada por duas instâncias: a Comissão Permanente de Sindicância, do próprio Metrofor, e a comissão especial formada por membros da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra) e da Procuradoria Geral do Estado (PGE). No entanto, ainda não há prazo para a conclusão dos trabalhos.

acidente aconteceu no dia 28 de setembro. VLTs do ramal Parangaba-Mucuripe colidiram frontalmente. Na ocasião, 37 pessoas ficaram feridas, incluindo os dois maquinistas. Funcionários trabalharam para realizar a retirada dos vagões, liberar a via e garantir o retorno da operação.

Já no dia 8 de outubro, o VLT que opera na Linha Oeste, em Caucaia, na Região Metropolitana, bateu em um caminhão de coleta de lixo que trafegava pela passagem de nível. Ninguém ficou ferido. A cancela que deveria impedir o acesso de automóveis durante a passagem não estava funcionando. O motorista também disse não ter ouvido o aviso sonoro do trem.

Terceiro acidente com VLT nos últimos 10 dias no Ceará

Terceiro acidente com VLT nos últimos 10 dias no Ceará

Uma quinzena depois, uma técnica de enfermagem colidiu o carro que conduzia no VLT, no bairro São João do Tauape. A motorista disse que não existe sinalização sonora no local e que a cancela não baixou. Não houve feridos na ocorrência.

Motorista disse não ter ouvido a sinalização sonora — Foto: Leabém Monteiro/SVM

Motorista disse não ter ouvido a sinalização sonora

Infração de trânsito

Sobre as colisões, o Metrofor disse que foram abertos boletins de ocorrência no 7º Distrito Policial (Pirambu), “para eventual necessidade de reparação de danos materiais”. A empresa assegurou que, em ambos casos, havia sinalização nas passagens de nível alertando sobre a existência da via férrea e sobre a aproximação do trem.

O Metrofor lembra que, nas duas ocasiões, os motoristas dos carros não respeitaram o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que obriga parada de veículos “antes de transpor via férrea”. “Segundo o CTB, os trens, devido suas características, possuem prioridade absoluta no fluxo dos diferentes meios de transporte”, diz.

Já na última quarta-feira (6), outra composição do VLT da Linha Oeste descarrilhou no bairro Presidente Kennedy. Sobre o episódio, a Companhia informou que o caso “ainda está sendo analisado”.

Trem da linha oeste do Metrô sai dos trilhos e bloqueia cruzamento

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Operação segura

O professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Bruno Bertoncini, considera o sistema metroferroviário “seguro” e “muito eficiente”, desde que sejam observadas condições de projeto, controle da operação, manutenção da via e do material rodante (composições) e de treinamento de equipes.

De acordo com o especialista, a relação do sistema férreo com as áreas urbanas requer cuidado principalmente nas passagens em nível, que podem ser indicadas com placas, pintura da cruz de Santo André no solo, sinalização luminosa, sonorização e, “em casos mais extremos”, o uso de cancelas.

“O equipamento que vai ser usado para essas interseções vai depender muito do volume de tráfego e da localização, mas pode ser usado para melhorar a fluidez e reduzir conflitos entre esses sistemas”, garante o professor.

Nos episódios mais graves, envolvendo a colisão frontal e o descarrilhamento, Bertoncini considera difícil apontar um problema sem a devida investigação, mas pondera que, “costumeiramente, aspectos técnicos ou construtivos tendem a ser mais fortes nas ocorrências do que a questão humana”.

Para ele, precisam ser analisados aspectos de gerência e geometria da via, a manutenção das composições, o treinamento dos operadores, e, quando houver conflito entre veículos ferroviários e automotivos, a ocorrência ou não de infrações de trânsito.

Fonte: G1

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