Dia Nacional da Saúde: conheça a história por trás da data, com significado reforçado pela pandemia

Pela primeira vez na história recente do Brasil, o Dia Nacional da Saúde – comemorado nesta quarta-feira, 5, ocorre em meio a uma pandemia de grandes proporções. Criada em 1971 como homenagem ao sanitarista Oswaldo Cruz, um dos pioneiros em saúde pública do País, a data teve o significado reforçado com os novos hábitos de higiene adquiridos pela população, que foi obrigada a repensar os cuidados com o corpo e com a mente.

Desde o início deste ano, andar com máscaras, consumir álcool gel e até mesmo tossir de “maneira correta” passaram a fazer parte de um grupo de etiquetas essenciais para a proteção à saúde. Isso porque o novo coronavírus, causador da Covid-19, se mostrou altamente transmissor e colocou os brasileiros – que até então não adotavam esses costumes, em alerta.

A saúde mental e emocional também foi colocada em risco quando o número de mortes pela doença disparou e quase todos os estados adotaram medidas de isolamento social, popularmente conhecidas como quarentena. Sem poder encontrar familiares ou amigos e com o medo de perder alguém querido, as pessoas também precisaram encontrar formas de lidar com a própria mente e tratar de seu emocional.

Ironicamente, foi para alertar a população sobre a necessidade de cuidar do corpo – entre outros, que o Dia Nacional da Saúde foi criado. Outra curiosidade é que o momento foi escolhido para ser celebrado na data em que Oswaldo Cruz nasceu. O médico sanitarista atuou no combate a pandemias e é responsável pela criação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que, atualmente atua para produzir uma das principais promessas de vacina contra a Covid-19.

O homem por trás da história

Oswaldo Cruz nasceu no ano de 1872, em uma região chamada São Luís do Paraitinga – interior de São Paulo. Durante seu crescimento, ele desenvolveu interesse por medicina e, quando tinha ainda 20 anos de idade, se formou na área, passo importante para as principais conquistas que conseguiria no futuro.

Em 1894, o médico foi convidado a integrar o Instituto Sanitário Federal, instituição criada pelo governo da época para enfrentar a pandemia de cólera que atingia regiões como São Paulo, Rio de Janeiro e o Vale do Paraíba. Enquanto os médicos locais afirmavam que a doença não era contagiosa, Oswaldo e sua equipe provaram o oposto e foram responsáveis pela criação de um amplo programa de saneamento, primeira grande experiência de sua carreira na saúde pública.

Em 1899, o sanitarista deu mais um passo importante ao integrar o Instituto Soroterápico Federal, onde desenvolveu – com apoio e trabalho de sua equipe, vacina e soro antipestosos contra a epidemia de peste bubônica que acontecia na época. O reconhecimento de seu trabalho fez com que, em dezembro de 1902, Oswaldo fosse convidado a assumir a direção do instituto.

Morte e legado médico

Uma vez na direção, o médico possibilitou a extensão de pesquisas biomédicas e – entre outros, transformou o espaço em uma unidade de ensino em microbiologia. Os trabalhos comandados por ele levaram à erradicação de doenças como a varíola e a soluções de enfrentamento a moléstias como malária e febre amarela.

Em 1907, o médico tornou a ter reconhecimento e ganhou medalha de ouro no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim, na Alemanha. Não muito distante, o Instituto Soroterápico foi rebatizado de Instituto Oswaldo Cruz (IOC) – atual fundação, em homenagem ao sanitarista.

Desde os 35 anos, no entanto, Oswaldo sofria de nefrite – síndrome que provoca inflamação no rim, e a doença fez com que ele chegasse a se afastar algumas vezes do Instituto. Em 1916, o médico chegou a ocupar o cargo de prefeito da cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, mas acabou abandonando o cargo no ano seguinte, meses antes de falecer em decorrência da doença.

O seu legado, contudo, seguiu por gerações e fez com que a Fiocruz se transformasse na “principal instituição não-universitária de formação e qualificação de recursos humanos” para o Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, ela atua realizando aquilo que Oswaldo poderia estar empenhado em fazer caso ainda estivesse vivo- buscando fabricar vacina contra a pandemia que já matou mais de 95 mil brasileiros.

Homenagem e pandemia

O Dia Nacional da Saúde foi decretado em 8 de novembro de 1971, com número 5352. A data escolhida para a comemoração, dia 5 de agosto, foi uma homenagem do Governo aos trabalhos e avanços realizados por Oswaldo no campo medicinal – uma vez que corresponde ao dia em que o médico nasceu.

Ainda que pouco conhecido ou celebrado, esse dia foi pensado para fazer com que indivíduos repensassem seus hábitos alimentares e cuidassem melhor de seu condicionamento físico, mental e emocional. A luta que o médico estabeleceu em vida – buscando disseminar doenças e proteger população, virou símbolo de conscientização para os brasileiros.

Em meio a pandemia, essa necessidade de cuidar da saúde foi ainda mais destacada. Além dos danos físicos causados pelo novo coronavírus, há ainda aqueles que não podemos ver, como distúrbios de sono que se agravaram durante a crise sanitária e podem causar até mesmo obesidade e transtornos mentais.

A mente, aliais, é um dos campos do corpo que pode ter consequências sérias quando o assunto é pandemia. De acordo com o psicólogo clínico Flávio Mota, o temor em contrair a doença, o medo de perder um familiar ou amigo e ainda estar “preso” dentro de um confinamento – provocado pelo isolamento social, fez com que o individuo apresenta-se sintomas dos “quais não consegue compreender ou aceitar”.

Entre eles estão a taquicardia e o suor excessivo, provocados devido a sensações como angústia internalizada. Flávio ainda explica que cada pessoa sente um impacto diferente e pontua a importância de não ter vergonha na hora de procurar um especialista e iniciar um tratamento.

“Não ter vergonha nesse momento de percepção será uma arma importante, pois não o impedirá de buscar ajuda profissional, podendo também fazer algo prazeroso- dentro das possibilidades, enfrentando esses momentos de angústia”, aconselha o psicólogo.

Seja quanto a doenças físicas ou “invisíveis”, a importância de evitar danos ao corpo é reforçada em tempos de crise sanitária- ganhando uma urgência ainda mais forte por isso. Assim como em todos os anos, no entanto, o Dia Nacional da Saúde segue sendo comemorado da mesma forma – tendo por trás a história de um médico que revolucionou a saúde pública do Brasil.

Fonte: Opovo

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