Análise: novidades dão esperança ao Corinthians em vitória com “assinatura” de Coelho

Dyego Coelho subiu um degrauzinho no patamar das expectativas do torcedor do Corinthians.

Depois de assumir o time e, sem tempo para treinar, perder por 2 a 1 para o Fluminense num jogo de pouquíssimo futebol praticado, o técnico usou seus dois dias de preparação para mudar a escalação, implementar algumas novas ideias táticas e ensaiar jogadas de bola parada.

Coelho teve muitos méritos na vitória por 3 a 2 contra o Bahia e, se antes era visto com desconfiança pelo torcedor, agora passa a ter crédito e conquista tranquilidade para conseguir trabalhar. Ao menos até a próxima semana – afinal, sabemos como funciona o futebol brasileiro.

Mas, para além dos acertos na prancheta, foi uma vitória coletiva dentro de campo. Num momento de pressão externa dias após a demissão de Tiago Nunes e de atos de intimidação no aeroporto, o grupo conseguiu concentrar suas energias num jogo intenso, combativo e com mentalidade vertical.

Tudo isso contra um bom time do Bahia, em seu segundo jogo com Mano Menezes, que teve mais posse, trocou mais de 500 passes certos, finalizou 23 vezes e poderia ter feito mais que dois gols.

Para se ter uma ideia da intensidade corintiana, foram 30 desarmes alvinegros contra 13 da equipe tricolor. Só Everaldo, que teve função completamente tática, roubou seis bolas dos adversários.

Sem um centroavante de ofício, o Timão se armou num 4-1-4-1 ao se defender, com Xavier à frente da defesa e uma linha de quatro com Otero, Roni, Araos e Everaldo. Mateus Vital, solto, ficou à frente.

Com a bola, Coelho repetiu o que já tinha feito na reta final do Brasileirão de 2019, com uma saída em três jogadores. Xavier, uma das novidades do time, ficou entre Gil e Avelar e qualificou o passe. Os laterais espetaram, deram amplitude ao time, e a movimentação foi arma bastante explorada.

O primeiro gol saiu em jogada de escanteio ensaiada: Fagner bateu, e Otero acertou chute que ainda contou com desvio. Pouco depois, em jogada trabalhada, Roni arriscou chute de fora e fez 2 a 0.

Xavier e Roni, apostas de Coelho, não sentiram em nenhum momento a transição para o profissional. Segundo Coelho, muito pelo apoio completo do grupo, mesmo dos que ficaram fora da equipe.

O Bahia diminuiu em belo chute de Nino Paraíba ainda na primeira etapa. No segundo tempo, Coelho teve boa leitura ao perceber que Araos pouco criava e que, além disso, Juninho Capixaba tinha muita liberdade pela esquerda. Ramiro substituiu o chileno, fortaleceu o setor e seguiu apoiando.

O Timão foi de quatro finalizações na primeira etapa para outras seis na segunda. Com mais posse (61%), o Bahia enfileirou 13 finalizações na etapa inicial e mais dez na segunda. Cássio, por duas vezes, evitou boas chances. Danilo Avelar também salvou uma em cima da linha. Sorte ou eficiência?

O Timão fez 3 a 1 com Gil, em outro escanteio de Fagner, e o Bahia ainda diminuiu com um gol de Saldanha, também após cobrança de tiro de fundo. Um 3 a 2 suado, na luta, que contou ainda com uma linha de seis nos minutos finais, reforçada por Bruno Méndez e Xavier. Nada passou.

É claro que não foi uma atuação perfeita. É óbvio que a busca do Corinthians não será pelo futebol bonito vendido por Tiago Nunes. Esqueça. O momento é de brigar por vitórias, retomar o mar calmo no campeonato e tentar brigar por algo na competição, como uma vaga na Libertadores.

O jogo, porém, deu um bico na angústia no corintiano. Se o mercado não oferece uma grande opção de treinador, é possível seguir mais um pouco vendo o que Coelho é capaz de fazer.

Se o elenco não é dos sonhos do torcedor, talvez seja mesmo o momento de ver o que a base pode oferecer. Nomes como Roni e Xavier mostram que o futuro pode ser melhor do que aparentava.

Fonte:Globo Esporte

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