O Misticismo e as Controvérsias da Pedra do Chapéu

Aumenta o fluxo de visitações e medidas preventivas devem ser tomadas.

Uma cidade reconhecida por ser berço de artistas e sua cultura, um teatro a céu aberto, um povoado de pessoas sorridentes e carismáticas, um aterro sanitário e a dúvida do caminho exato que pode nos levar a um monumento histórico e natural, conhecido como Pedra do Chapéu, situado exatamente nas proximidades do podridão que exala dos entulhos de lixo que são depositados diariamente, numa das mais belas localizações naturais da cidade de Milagres. Uma região rica por sua natureza, retratada através de belíssimas paisagens que encantam os observadores que por estas terras passam, onde céu e terra se unem as brisas e sua sonoridade, misturadas ao calor caririense, por vezes aquietado por momentos nublados, anunciando possíveis dias chuvosos, infelizmente a chuva tardando em vir regar terras que, mesmo com a ausência das águas que caem do céu, insistem em se manter verdes, costuradas ao cinza extraído das pedras que molduram estas telas naturais.

Situada não tão longe do município de Milagres, a primeira tristeza que permeia a Pedra do Chapéu é a dificuldade de imagens em alta resolução da mesma, caso o interesse primário seja mostrar a alguém sua existência a distância. Os poucos registros fotográficos são de visitantes que dispõe através de suas Redes Sociais, o que ajuda na divulgação de seus próprios contatos pessoais, mas, impede que um número considerável tenha acesso, com isso não despertando o interesse de conhecê-la. Segundo, a rota, por mais acessível que seja, pois é possível chegar aos pés da Pedra do Chapéu de carro e moto, ainda é um mistério para a maioria dos milagrenses, que testemunham não fazer ideia de como chegar no local, nos seus relatos chegando a expressar o desejo de conhecer, mas, por falta de uma rota sinalizada, por questões de segurança, preferem deixar para “depois, ou “um dia quem sabe”, como ouvi de muitos.

O que piora o acesso a Pedra do Chapéu é o aterro sanitário, hoje um verdadeiro labirinto, que confunde quaisquer transeuntes que arrisquem por lá passear, o tráfego de veículos podendo vir a ser um problema, caso não haja por perto quem possa dar as informações precisas de como acertar nas pequenas estradas que dão acesso a esta senhora milenar que exala misticismo quando chegamos perto dela.

Parece realmente com um chapéu? Quem a batizou com este título? Que relação há desta pedra com a história de Sousa Preza com a Índia? Quais os mais antigos relatos sobre a Pedra do Chapéu? Que paralelo pode ser traçado com a história antiga da região do Cariri e este monumento natural que está atraindo a atenção de muitos nos dias atuais? E quer dizer da segunda projeção, a saber, a figura de uma ave em estado de repouso? Poderia nascer a possibilidade de rebatizar a pedra?

Estas e outras questões, como por exemplo, sua idade, formação original, agressões sofridas nos últimos séculos, principais civilizações antigas que podem ter a encontrado, mudanças ao longo dos tempos, suas condições atuais e a mais importante, o tempo de sobrevivência da Pedra do Chapéu, precisam de respostas, para que uma história fidedigna seja documentada, para que a partir destes esclarecimentos a história do município de Milagres ganhe um novo e autêntico capítulo.

Acredito que o primeiro passo para escrever este novo capítulo seja traçar uma linha reta do Paço Municipal até a Pedra do Chapéu e informar a população em número, a distância entre um ponto e outro. Segundo, alimentar uma campanha de conscientização nas Redes Sociais e demais canais de comunicação, de proteção a Pedra do Chapéu, no sentido de notificar a população que o referido monumento não é um parque de diversões e que, por mais que o turismo seja o principal objetivo, é necessário reconhecer a necessidade de preservação da mesma, para darmos o terceiro e urgente passo, o de sinalizar a rota de acesso, trocando a placa vulgar fincada na mata, que, de tão longínqua, passa despercebida de quaisquer olhares curiosos.

Reconhecer que a natureza é a verdadeira mãe desta pedra, que é suntuosa na sua beleza, deve nos acarretar o compromisso de abraçar a responsabilidade de, em conjunto com os órgãos competentes, buscarmos profissionais nas áreas de Geografia, Topografia, Arquitetura, Urbanismo e Turismo, para darmos a Pedra do Chapéu suas devidas condições de sobreviver até futuras gerações.

Crescemos em meio as lendas do nosso folclore, aprendemos sobre os dinossauros, assistimos Os Flinstones e damos um salto no futuro com Os Jetsons, mas, esquecemos de atentar as nossas riquezas naturais e lhes dar seu verdadeiro reconhecimento.

Quanto de nossa história podemos resgatar se adentrarmos numa justa e necessária jornada de busca de conhecimento a respeito da Pedra do Chapéu? A partir desta empreitada, que outras riquezas esquecidas podem receber merecido tratamento? Exatamente, caso nada seja feito, as doenças que circundam a Pedra do Chapéu, pode a afetar agressivamente e, caso alguém queira fazer algo, pode ser que seja tarde demais. Precisamos das nossas autoridades governamentais municipais e estaduais, para que através destes órgãos nossa história possa ser preservada e contada.

A Pedra do Chapéu esconde segredos assim como nos revela muito sobre seu Povo que a permeia. Com seu chapéu nos cumprimenta gentilmente e nos recebe; com sua bela ave a repousar, nos orienta quanto a sua sensibilidade e espiritualidade. Já sua verdadeira origem, exala mistérios, e são estes que atraem a muitos, que precisam ser preparados quanto a acessibilidade e ao chegar lá, ter a sua disposição toda informação necessária que os induza a reverenciar este monumento natural, que é patrimônio nosso, místico por natureza e controverso por sua existência.

Precisamos compreender que preservar é o início de perpetuar e assim conceder a gerações futuras a oportunidade de estar aos pés da Pedra do Chapéu e, quem saber, conhecer um pouco dessa história que agora, estamos escrevendo.

Visite a Pedra do Chapéu!

 

Fonte: Rogério Azevedo

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