Bethe Correia vai inaugurar academia e sonha formar campeãs no MMA: “Sei o que elas precisam”

Ex-desafiante do cinturão peso-galo do UFC e aposentada do MMA desde outubro de 2021, Bethe Correia inicia, nesta sexta-feira, uma nova etapa na sua vida profissional. A ex-atleta, de 38 anos de idade, vai inaugurar sua academia, a Team Correia, no bairro Bessa, em João Pessoa, na Paraíba.

Inicialmente, o foco de Bethe Correia é nos praticantes de artes marciais que não pretendem ser profissionais, ou seja, treinam por hobby ou por saúde. Entretanto, em entrevista ao Combate, ela relata que tem planos de curto prazo para investir, especialmente, no MMA feminino e sonha formar campeãs na modalidade.

– A academia vai abrir de forma comercial, com aulas de jiu-jítsu, o Edelson (Silva) vai trazer o boxe baiano, vai ter muay thai e MMA fitness. Estou começando na parte administrativa, comercial e de planejamento. Eu tenho muitos planos. Primeiramente, a ideia é melhorar a saúde e qualidade de vida das pessoas, mas estou fazendo um projeto para incentivar o MMA feminino. O que eu passei no esporte foi tão difícil, sofri tanto, que sei o que o atleta precisa. As pessoas não entendem nada do que é o MMA. Quero uma equipe para dar a elas o que faltou para mim. É muito difícil para as mulheres, as pessoas não reconhecem, acham que é fácil. O Brasil tem muito talento desperdiçado, não há apoio, orientação. O brasileiro vai na força de vontade. Quero montar um estilo de aula diferenciado para mulheres. O MMA é um esporte real da vida, de guerra. Se depender de mim, vão sair campeãs de MMA de lá – contou Bethe, que vai ministrar um aulão na abertura do espaço.

Bethe vai inaugurar o local com um aulão — Foto: Arquivo Pessoal
Bethe vai inaugurar o local com um aulão — Foto: Arquivo Pessoal

Bethe conta que o desejo de abrir a própria academia não foi algo que sempre esteve em seu radar. Ela afirma que amadureceu a ideia conforme o tempo como lutadora foi passando.

– Muita gente começou a me pedir, a perguntar, então comecei a pensar se valia a pena, fui ganhando experiência, dando conselhos… As pessoas diziam: “Bethe, você viveu tanta coisa, deveria colocar em prática isso tudo”. Fui tomando gosto e decidi abrir. Minha irmã, Suzana, me acompanhou em todas as lutas e entrou de sócia na academia. Vamos juntas. A repercussão está sendo muito boa, vai ser um sucesso, estou muito empolgada e ansiosa. A academia está linda. A Bethe saiu do esporte, mas o esporte não saiu da Bethe (risos).

Questionada se poderá repensar a aposentadoria – como acontece com diversos lutadores – Bethe Correia assegura que sua história dentro do octógono se encerrou. Entretanto, não descarta se aventurar em outra modalidade, como o boxe sem luvas, por exemplo.

– Eu não posso dizer a você que nunca mais vou lutar. Tem o boxe sem luva, o jiu-jítsu, quem sabe dá aquela vontade… Eu não vou falar nunca, mas no momento vou focar na academia. As coisas podem mudar com uma boa proposta. Mas, em relação ao MMA, eu tenho certeza que é para sempre, não vou lutar mais. Posso competir em outro esporte. Mas pendurei as luvas de vez no MMA.

Ronda Rousey nocauteou Bethe Correia no round inicial pelo UFC Rio 7 — Foto: André Durão
Ronda Rousey nocauteou Bethe Correia no round inicial pelo UFC Rio 7 — Foto: André Durão

Em relação à sua trajetória no UFC, Bethe Correia, que deixou o octógono com 11 vitórias, seis derrotas e um empate, diz se orgulhar do que construiu. Sem arrependimentos e nem com a sensação de que faltou cumprir alguma missão. Embora não tenha conquistado o cinturão do peso-galo, ela o disputou contra Ronda Rousey, em uma luta principal no UFC Rio, em 2015, e fez outro main event na carreira, contra Holly Holm, em Singapura, em 2017.

– Eu parei na hora que tinha que parar. O UFC me deu uma última luta de aposentadoria. Queria parar lá, não queria ir para outro evento. Eles foram ótimos comigo, aceitaram. Eu me entreguei, me doei nessa luta final contra a Karol Rosa. Na hora de se aposentar, tudo mais difícil, não dá para evoluir como antigamente. Era hora de parar. Fiz uma história incrível, fiz lutas principais, disputei o cinturão, enfrentei as melhores, adversárias que já lutaram pelo título. Foram muitas garotas duras, só meninas muito boas. Estou muito satisfeita, porque passei por tudo para ganhar essa maturidade.

Com informações do Globo Esporte

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