Identidade de jogo ou competência: o que um clube deve procurar num treinador?

Com a saída de Cuca, o Atlético-MG elegeu Jorge Jesus como principal alvo para o cargo de treinador. Na recusa do português, nomes como Carlos Carvalhal, Juan Pablo Vojvoda e Odair Hellamnn são cogitados para assumir o Galo.

São perfis completamente distintos em tantos quesitos, como estilo de jogo, relacionamento com profissionais e liderança de vestiário, que a linha condutora do Atlético-MG pode ser colocada em xeque. O que o clube quer?

A resposta é simples: contratar alguém para vencer. Não está necessariamente errado.

O futebol é movido pela vitória. Todo clube, de maior ou menor porte, com ou sem dinheiro, quer o acúmulo de vitórias que objetiva um título. É natural que a contratação de um treinador seja feita com base no potencial daquele profissional de vencer e competir, dentro de um determinado estilo que pode ou não ter conexão com o que a torcida espera do seu time.

Poucos clubes no mundo possuem uma cultura de jogo que justifica a contratação de treinadores com uma identidade específica. Talvez apenas Ajax, Indepiendente del Valle e Barcelona possuam um DNA futebolístico que exige um treinador adepto de uma filosofia. E ter uma cultura, por si só, não é garantia de sucesso. O Barcelona, que tanto se orgulha de La Masia, vem colhendo os frutos de anos de inflexibilidade com as categorias de base numa crise sem data para acabar.

Técnico Cuca em treino do Atlético-MG — Foto: Pedro Souza/Atlético-MG
Técnico Cuca em treino do Atlético-MG — Foto: Pedro Souza/Atlético-MG

Além disso, treinadores não são pessoas estáticas. Boa parte do sucesso deles vem da capacidade de se adaptar ao elenco que têm, bem como da didática que possuem ao transmitir uma ideia de jogo para um grupo. Tome como exemplo o próprio Cuca: o Santos que chegou na final da Libertadores jogava de um jeito totalmente diferente do Atlético-MG, que por sua vez, eram times bem diferentes do Palmeiras de 2016.

É aí que mora a questão: treinadores não vencem porque possuem super-poderes, mas por estarem inseridos num contexto específico que favorece o que eles têm de qualidade.

O erro de clubes brasileiros está em ignorar esse contexto e considerar apenas a “grife” do técnico.

Nenhum técnico vence sozinho. O desempenho de um treinador é afetado por uma série de fatores. Tem a comissão que o acompanha, a qualidade do elenco, a organização financeira do clube, o tempo de trabalho, a própria expectativa gerada naquele momento, o tempo de treino e até as competições disputadas naquele momento.

Erros de contratação vem da falta de leitura desse contexto. Quando contratou Tiago Nunes, o Corinthians parecia mais interessado em dar uma resposta à torcida sobre a expectativa subjetiva de jogar bonito e chamar o nome nascido no Brasil no momento (tanto que Nunes chegou a ter o nome ventilado na Seleção no início de 2020). Esqueceu de avaliar que Nunes era parte de um processo imenso no Athletico, que envolvia mais tempo de treino, passagem pela base e um organograma muito maior. Mesmo erro do Inter com Ramírez, ou do São Paulo com Jardine.

Com informações do Globo Esporte

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