Diretor do Fantástico deixa a Globo após 39 anos e substituto é definido

Quarta, 29 Novembro 2017 00:00

O diretor geral de Jornalismo, Ali Kamel, anunciou na manhã desta quarta-feira (29) a saída de Luiz Nascimento da direção do Fantástico e seu substituto no comando do programa.

O jornalista Bruno Bernardes, na equipe do programa desde 1999, é o novo diretor do Fantástico. Luiz Nascimento, atual comandante da atração, sai para novos planos em Portugal. Bernardes foi preparado para assumir o programa por Nascimento, o Luizinho, como é chamado nos bastidores.

Nascimento está na Globo há 39 anos na Globo. Ele entrou na emissora em 1978 e, em toda sua trajetória, deixou a emissora rapidamente em duas ocasiões: no final de 1986, quando foi para o Jornal do Brasil e voltou à emissora em menos de dois anos, e em 1990, quando saiu para cuidar da campanha política de Leonel Brizola e ficou oito meses na TV Manchete. Retornou à Globo no final de 1991 e há 25 anos dirige o Fantástico.

Outra mudança na equipe do programa dominical foi realizada e Álvaro Pereira, da direção do programa em São Paulo, vai se dedicar a reportagens especiais e será sucedido por Roberta Vaz.

Abaixo o texto que Ali Kamel mandou essa manhã para a redação anunciando as mudanças:

“Foi em 2011 que Luizinho pela primeira vez me contou de sua decisão de deixar o Fantástico para mudar de vida, de ares, de afazeres, de país: morar em Portugal. Eu levei um susto, porque Fantástico e Luizinho se tornaram sinônimos. Propus que ele adiasse o projeto, e ele concordou. Ano a ano a conversa se repetiu, para minha aflição. Até que me acostumei e, confesso, passei a acreditar que o projeto seria sempre adiado.

Eu estava errado. No primeiro semestre desse ano, a conversa voltou em definitivo, e eu tive de me curvar a ela. Para mim, foi difícil, claro. Mas logo me dei conta de que nesses seis anos, Luizinho nunca mudou de ideia, ele estava apenas, ao estilo dele, dando os toques finais no projeto que iniciou 25 anos antes: liderou a reformulação do Fantástico, viu concretizado o velho sonho de um estúdio ao mesmo tempo bonito e funcional, integrando redação e cenário, manteve a audiência do Fantástico em voo de cruzeiro e se dedicou à formação de um sucessor. Muita coisa. Só mesmo alguém como Luizinho, generoso, capaz, criativo e altamente responsável, para por tudo isso em marcha mesmo tendo já em mente sua decisão de sair. Serei eternamente grato a ele por isso.

Mas não só por isso. Desde 2001, quando eu o conheci, pude ter a certeza de que ali estava um profissional de altíssima qualidade, sempre entusiasmado pelo programa que liderava. E o programa mais difícil de realizar – pela minutagem, pelo amplo público a que se destina e por ir ao ar na noite mais competitiva da televisão brasileira. Todos nós sabemos o que é começar a semana tendo 120 minutos para preencher com jornalismo, show, dramaturgia, esporte. Mas muito poucos realmente enfrentaram esse desafio semana após semana, com a competência e a serenidade de Luizinho. É um esforço de gigante. E por 25 anos.

No nosso convívio pude conhecer também o lado humano de Luizinho: uma pessoa gentil, tranquila, incapaz de maledicências, bem humorado, amigo, mas também insistente, persuasivo, tentando fazer ver o que aos olhos dele era o melhor para o programa. Nossas reuniões de pauta e espelho sempre foram momentos de grande trabalho, mas, muito em função dele, momentos de conversa boa, com momentos de graça em que muitas vezes acabávamos em gargalhadas. E no domingo o resultado foi sempre um programa de alto nível. Vou sentir muita falta desse convívio.

Luizinho confirma aquilo que todos sabemos: o bom profissional é aquele antenado com o presente e temperado pela experiência, que, no caso dele, não serviu nunca como desculpa para fazer de um certo modo “porque sempre se fez assim”. Com Luizinho, muitas vezes a experiência era o motor para que ele dissesse: “Sempre se fez assim, por que não fazer diferente”? Poucos como ele podem dizer isso com tanta segurança.

Luizinho começou na profissão, aos 17 anos, em 1968, no Diário de Notícias, e não parou mais. Passou pelo Fluminense, Correio da Manhã, Editoria Abril, Folha de S.Paulo, TV Tupi, Jornal do Brasil e TV Manchete. Sua primeira passagem pela Globo foi entre 1979 e 1986. Nesse período, foi editor, chefe de reportagem da então Divisão de Esportes, editor-chefe do Globo Esporte, chefe de redação do Fantástico, com estadas no JN e no Globo Repórter. Participou de coberturas especiais de grandes eventos, do primeiro Rock in Rio à morte de Tancredo Neves. No Esporte, participou da enorme transformação de linguagem que aconteceu no período em que as câmeras passaram a ser mais portáteis e a edição mais ágil. Fez, por exemplo, com o Fernandinho Guimarães, uma histórica e polêmica matéria em que o juiz José Roberto Wright usou um microfone em campo durante uma final de campeonato estadual. Foi possível ouvir, pela primeira vez, o que diziam jogadores e juiz. Tremenda polêmica! Saiu da Globo em 1986, voltou em 1989, saiu de novo de novo em 1991, mas voltou no mesmo ano para não nos deixar mais.

Nesse segundo período, foi editor chefe do Esporte Espetacular até que, em janeiro de 1993, assumiu a direção do Fantástico, sucedendo monstros sagrados como Manoel Carlos, Maurício Sherman e José Itamar de Freitas. Nesses 25 anos, levou o programa, com a ajuda da equipe brilhante que sempre soube reunir, a constantes transformações de conteúdo – de Mister M a Drauzio Varella, um leque de atrações divertidas e consequentes. Estimulou a interatividade com o público, com os pioneiros vídeos colaborativos exibidos durante o programa, e através de formatos como A Volta ao Mundo, em que o público decidia os rumos da viagem de Zeca Camargo, domingo a domingo. Procurou, também, alinhar o programa ao de que mais moderno oferecia a tecnologia – de Eva Byte, a primeira apresentadora virtual da TV, criada pelo Departamento de Arte da CGJ, às gravações em 360 graus. Fez com que o Fantástico fosse o primeiro programa da TV brasileira a ter um endereço eletrônico e a trafegar, em tempo real, na internet – ela ainda era discada e o Fantástico já mostrava, ao vivo, a participação de brasileiros pelo mundo comentando fatos do domingo.

Já diretor do Fantástico, não deixou de ter atividades paralelas. Em 2001 chegou a acumular a direção do Fantástico com a do Domingão do Faustão, numa tentativa da direção-geral de criar, aos domingos, uma faixa de info-entertainment.

E, não se pode deixar de mencionar, participou das coberturas das Olimpíadas de 1980 em Moscou; 1984 em Los Angeles; 1992 em Barcelona; 1996 em Atlanta; 2000 em Sidney e 2004 em Atenas; e das Copas de 1982 em Madri; 1994 em Dallas; 1998 em Paris; 2002 e Coreia e Japão; e 2006 na Alemanha.

Não menciono todo esse currículo apenas para seguir o padrão. Mas para destacar para todos nós -os experientes e os que estão chegando à profissão – o desemprenho magistral que Luizinho teve aqui e em outras empresas. Diante disso, como não compreender a decisão de Luizinho de mudar de ares, de afazeres, de país? Não dá. Só posso desejar ao Luizinho boa sorte, agradecer por deixar a casa arrumada, por deixar um sucessor de enorme potencial e por ter feito a Globo brilhar por tantos anos todas as noites de domingo.

Gilberto Freire escreveu que o brasileiro “amoleceu” a língua portuguesa, graças a nossa herança africana e indígena. Em vez do imperativo “dá-me”, o nosso “me dá”, por exemplo. E também pelo uso dos diminutivos, que usamos para expressar gentileza, delicadeza, mas sobretudo extremo carinho. É exatamente esse o caso. Luizinho não é um apelido, mas é a forma que colegas do passado e do presente encontramos para mostrar que vemos nele, à parte o grande profissional, alguém doce, gentil, companheiro, boa praça, enfim, um grande sujeito. A você, Luizinho, desejo toda a sorte do mundo. Mais uma vez, obrigado por tudo o que você fez pela Globo e pela profissão.

Luizinho será substituído por Bruno Bernardes, que, pode-se dizer, nasceu para a vida profissional no Fantástico. Chegou ao programa em outubro de 1999, para fazer parte da então incipiente equipe de internet do jornalismo. Na redação, só existia um único computador com acesso à rede – o dele. Bruno já chegou na Era que se iniciava, a digital. Em 2002, era um dos editores do programa, participando das grandes coberturas, roteirizando séries, criando séries – para citar apenas uma, de grande sucesso, aquela sobre Filosofia, com Viviane Mosé, com o desafio de falar de Platão e Aristóteles para o público enorme do Fantástico numa linguagem que todos entendessem. Todos entenderam.

Em 2006, foi para São Paulo, onde passou seis anos, sob o comando de Álvaro Pereira. Fez parte das principais coberturas da época: ataques do PCC, queda do avião da GOL, da TAM, morte do Michael Jackson, caso Nardoni. Foi o editor da famosa entrevista com a Suzane Richthofen, quando acompanhou a repórter Fabiana Godoy nas gravações e, na decupagem, percebeu o áudio que selou o destino de Suzane: advogados orientando a cliente a chorar e a se fazer de vítima. Ela voltou pra cadeia no dia seguinte à exibição da matéria.

De 2009 a 2011, passou a ser o editor de séries: Max Gehringer, o quadro “O Conciliador” (premiado pela Associação dos Magistrados Brasileiros), Menina Fantástica, para citar alguns.

No fim de 2011, em função do excelente desempenho, tornou-se coordenador de quadros e séries, no Rio de Janeiro. Passou a supervisionar projetos de Drauzio Varella, Marcio Atalla, Felipe Bronze, Michel Teló, Ernesto Paglia, Sônia Bridi, Marcelo Canellas; trouxe, junto com a Leia Paniz, o formato Undercover Boss, que virou o popular “Chefe Secreto” e, também com a Leia, o quadro “Vai Fazer o Quê?”, apresentado por Ernesto Paglia.

A série “Quem Sou Eu?”, sobre o universo trans, projeto sugerido por ele e brilhantemente realizado por uma grande equipe , venceu o prêmio Vladimir Herzog.

Foi assim que, ao lado de Luiz Petry e Álvaro Pereira, tornou-se um dos parceiros de Luizinho para pensar o programa. Passou a fechar o Fantástico aos domingos, em sistema de plantão, pondo o programa no ar. Aprendeu com Luizinho a arte mais difícil: elaborar um espelho que prenda os diversos públicos do programa, fazendo a mágica de que um tema interesse ao jovem, ao idoso, à criança, ao rico e ao pobre. Num momento, mais a uns do que a outros, mas sempre visando a todos.

Nos últimos três anos, tenho convivido com ele toda semana nas reuniões, juntamente com Silvia Faria e Mariano Boni. Pude perceber o seu talento, o seu profundo conhecimento do Fantástico, a sua criatividade. Estou seguro de que o Fantástico estará em boas mãos, porque contará com a ajuda essencial de uma equipe extraordinária, sobretudo do chefe de Redação Luiz Petry, um braço direito dos sonhos de todos. Ao Bruno, boa sorte e bom trabalho.

Também cumprindo um desejo de já alguns anos, Álvaro Pereira, que ao lado de Petry e Luizinho formou um trio de ouro no programa (por muito tempo, um quarteto, com o genial e inesquecível Geneton Moraes Neto) a partir do ano que vem, vai se dedicar apenas à reportagem. A atuação de Álvaro no Fantástico foi fundamental todos esses anos. Contribuiu para que o programa permanecesse o sucesso que é hoje. E, como já faz, levará da experiência na chefia aspectos fundamentais para ser um repórter ainda mais brilhante. Continua no Fantástico, para o bem do programa. Sua substituta será a Roberta Vaz.

Roberta começou a carreira em 1988 como produtora na reedição do Jornal de Vanguarda, na TV Bandeirantes. Ali teve como referências Fernando Barbosa Lima, Fernando Gabeira, Paulo Leminski e outros, fundamentais em sua formação profissional e pessoal.Teve uma rápida passagem pelo programa Aqui Agora e por oito anos foi produtora executiva do TJ Brasil de Boris Casoy, no SBT. Roberta chegou à Globo em 2003 como produtora de reportagem do Fantástico em São Paulo. Em 2006 foi promovida à chefia de produção e há 6 anos ocupa o cargo de Editora Executiva. Conhece o trabalho como ninguém. Dará ótima continuidade ao trabalho de Álvaro.

 

 

 

 

 

 

Fonte: TV Foco

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