Por que os clubes ingleses recusaram o uso do VAR na Premier League?

Esporte Terça, 17 Abril 2018 00:00

A maioria dos clubes da Premier League decidiu contra o uso do Video Assitant Referee (VAR), o famoso árbitro de vídeo, na próxima temporada. O recurso criou muita polêmica no país, usado em testes em jogos da Copa da Inglaterra. Dois terços dos clubes votaram contra a implantação do VAR a partir da temporada 2018/19, mas querem que o sistema continue a ser testado tanto na Copa da Liga quanto na Copa da Inglaterra. Com isso, a Premier League será a única das cinco maiores ligas da Europa que não usará o recurso. Itália e Alemanha já usaram nesta temporada e Espanha e França já aprovaram o uso a partir da temporada 2018/19.

“A decisão vem depois de discussões abrangentes sobre os progressos feitos nos testes VAR no futebol inglês e os principais aprendizados das muitas competições em outros lugares”, diz um comunicado da Premier League. O ceticismo dos ingleses com o VAR não é por acaso. Os testes na Inglaterra foram bastante controversos, com jogos como o do Manchester United contra o Huddersfield, nas oitavas de final da Copa da Inglaterra, quando uma linha bizarra foi mostrada na transmissão para mostrar o impedimento em um lance. A empresa que presta o serviço, Hawk Eye – a mesma que faz a revisão de lances no tênis – disse que foi uma falha técnica que produziu o gráfico incorreto fornecido à transmissão, mas que não foi a imagem usada pelo VAR.

Esse problema de comunicação entre o VAR e o público – telespectador de TV ou torcida no estádio – é um dos pontos que mais preocupa os clubes ingleses. Os clubes querem que seja dada mais ênfase à comunicação do VAR aos espectadores. Esta é a reclamação mais forte feita contra a tecnologia. Há um temor que as decisões não sejam claras para quem assiste aos jogos. Na visão dos clubes que votaram contra o VAR, os torcedores ficaram de fora e não foram comunicados sobre o processo de decisão durante o uso do VAR.

“Os clubes concordaram que testes avançados irão continuar até o final da temporada 2018/19 para fazer mais melhorias ao sistema, especialmente em relação à comunicação dentro do estádio e para aquelas assistindo em casa ao redor do mundo”, afirma o comunicado da Premier League.

Outro ponto que preocupou os clubes foi a aplicação humana do VAR, e não a tecnologia em si. O VAR deveria ser usado em eventos de erros claros do árbitro. Mas algumas decisões, como o pênalti controverso dado para a Itália no amistoso com a Inglaterra em Wembley criou ainda mais dúvidas. O lance, por ser interpretativo, não gerou conclusões definitivas após a revisão, mesmo com diversos ângulos.

Nos testes ingleses, houve também uma dúvida em relação à atuação do VAR em movimentos que levaram a gols controversos. A falta de comunicação é um dos fatores considerados chave para que os clubes desconfiassem. A questão do uso do VAR deve ser revisitada no próximo ano para a aplicação em uso em 2019/20.

A recusa dos clubes em usar o sistema de árbitro de vídeo desagradou o técnico do Arsenal, Arsène Wenger. “Estamos atrás do resto do mundo”, disse o técnico, de 68 anos. “A Premier League de novo votou contra o VAR e eu acredito que é uma decisão muito, muito ruim”, continuou. “Todo grande jogo nesta temporada foi decidido por erros que poderiam ser evitados com o VAR”.

Como exemplo, o treinador citou o gol anulado de Leroy Sané no jogo entre Manchester City e Liverpool pela Champions League. O VAR também não será usado pela Champions League na próxima temporada, já que a Uefa, assim como a Premier League, ainda quer mais testes com o recurso.

“A Premier League foi criada por pessoas que tinham uma mente progressiva e queriam estar à frente do resto da Europa. Isso funcionou”, disse Wenger. “A jovem geração está acostumada com VAR e, mundialmente, eles podem se afastar de nós porque eles veem que em outros países já usam”.

O VAR será usado na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, depois de ser promovido pelo atual presidente da Fifa, Gianni Infantino. A Uefa ainda é reticente e não quis usar na Champions League em 2018/19, mas deve adotar a tecnologia nas próximas temporadas. De qualquer forma, o debate se torna mais forte. A Premier League poderá sofrer com críticas caso tenhamos mais problemas de arbitragem na próxima temporada, especialmente com todas as grandes ligas usando o recurso.

 

Fonte: msn

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