'Envolvimento de agentes do Estado e de políticos dificulta esclarecimento do caso Marielle', diz Jungmann

Política Quarta, 08 Agosto 2018 00:00

O Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse em entrevista ao programa “Entre Aspas”, da GloboNews, nesta terça-feira (7), que a dificuldade em esclarecer as mortes da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e o motorista dela, Anderson Gomes, está no envolvimento de agentes do Estado e de políticos.

“São duas (as dificuldades). Em primeiro lugar é o fato, que é difícil de te responder... Com as informações que tenho, eu não posso trazer todas aqui porque senão eu criaria problemas para a própria investigação. Em segundo lugar, a complexidade. Esse assassinato da Marielle envolve agentes do Estado. Envolvem, inclusive, setores ligados seja a órgãos de setores do Estado seja a órgãos de representação política”.

Ao ser perguntado se ramificações no Parlamento e na própria polícia atrapalham as investigações, Jungmann, disse que sim. “Eu diria que sim. Esse é um dos problemas que existe. A complexidade deriva do profissionalismo que ele (o crime) foi feito e o fato de que tem uma rede, digamos, de intersecção, que eu poderia chamar daqueles que têm interesse que aquilo acontecesse. É bastante ampla. Daí a grande dificuldade que se tem para esclarecer esse caso", afirmou o ministro.

Jungmann acredita que o caso será esclarecido até o final desse ano. “Nós da Política Federal (PF) estamos dando todo o apoio. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Força Nacional, a inteligência nacional colaboram”.

Caso Marielle

Marielle e o seu motorista foram mortos a tiros dentro do carro, na noite de 14 de março no Estácio, bairro na Região Central do Rio. A principal linha de investigação é execução.

Passados quase cinco meses, as principais perguntas sobre o caso: "quem matou" e "quem mandou matar", permanecem sem respostas.

O caso é tratado como sigiloso pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

Numa das poucas vezes que rompeu o silêncio para tratar do caso, a Delegacia de Homicídios da Capital (DH), responsável pela investigação, comunicou que dois suspeitos de envolvimento com a morte da vereadora foram presos.

Um deles é o ex-policial militar Alan Nogueira, conhecido como "Cachorro Louco". O outro, o ex-bombeiro Luís Carlos Ferreira Barbosa. A confirmação de que a dupla teria participação no crime é do delegado da DH Willians Batista.

O advogado de Nogueira, Leonardo Lopes, disse que o cliente não teve qualquer participação no assassinato e nega, inclusive, que o ex-PM integre um grupo miliciano da Zona Oeste da cidade.

Veja o que se sabe sobre o Caso Marielle:

Histórico e investigação

19h: Marielle chega à Casa das Pretas, na Rua dos Inválidos, Lapa, para mediar debate com jovens negras.

Imagens obtidas pela polícia mostram um Chevrolet Cobalt com placa de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense, parado próximo ao local.

Quando Marielle chega, um homem sai do carro e fala ao celular.

21h: Marielle deixa a Casa das Pretas com uma assessora e Anderson. Pouco depois, um Cobalt também sai e segue o carro de Marielle.

No meio do trajeto, um segundo carro se junta ao Cobalt e persegue o veículo de Marielle.

21h30: na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, um dos veículos emparelha com o carro de Marielle e faz 13 disparos: 9 acertam a lataria e 4, o vidro.

Marielle e Anderson são baleados e morrem.

Vereadora foi atingida por 4 tiros na cabeça.

Anderson levou ao menos 3 tiros nas costas.

Assessora é atingida por estilhaços, levada a um hospital e liberada.

Arma foi utilizada foi uma submetralhadora MP5 9 mm; tiros foram disparados a uma distância de 2 metros.

Munição pertencia a um lote vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006. A polícia recuperou 9 cápsulas no local do crime.

Ministro da Segurança, Jungmann diz que as balas foram roubadas na sede dos Correios na Paraíba, "anos atrás".

Ministério da Segurança afirma que a agência dos Correios na Paraíba foi arrombada e assaltada em julho de 2017 e que no local foram encontradas cápsulas do mesmo lote de munição.

Lote é o mesmo de parte das balas utilizadas na maior chacina do Estado de São Paulo, em 2015, e também nos assassinatos de 5 pessoas em guerras de facções de traficantes em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

Polícia acredita que assassinos observaram Marielle antes do crime porque sabiam exatamente a posição dela dentro do carro. Vereadora estava sentada no banco traseiro – algo que não costumava fazer – e o veículo tem vidros escurecidos.

Polícia acredita que o carro dela foi perseguido por cerca de 4 km.

Criminosos fugiram sem levar nada.

Testemunhas: assessora de Marielle e uma segunda pessoa foram ouvidas sobre o caso.

Viúva da parlamentar também prestou depoimento, mas não como testemunha.

Polícia reuniu imagens de câmeras de segurança.

Cinco das 11 câmeras de trânsito da Prefeitura do Rio que estavam no trajeto de Marielle estavam desligadas.

A investigação ganhou um reforço de 5 promotores, a pedido do responsável pelo caso.

Vereador e ex-PM miliciano são citados por testemunha.

Dois homens são presos suspeitos de envolvimento no caso.

Vereador e miliciano citados em delação

 Vereador do Rio Marcello Siciliano (Foto: Reprodução / TV Globo)

Vereador do Rio Marcello Siciliano (Foto: Reprodução / TV Globo)

Quase dois meses após o crime, uma publicação do jornal O Globo deu indícios do que pode ter sido a articulação para matar Marielle. A reportagem mostrou que uma testemunha deu à polícia novas informações que implicaram no crime o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano Orlando de Curicica.

A testemunha – que integrava uma milícia na Zona Oeste do Rio e foi aliado de Orlando – contou à polícia ter testemunhado uma conversa entre Siciliano e o miliciano na qual os dois arquitetaram a morte da vereadora. A motivação para o crime, segundo a testemunha, seria a disputa por áreas de interesse na região de domínio de Orlando.

"Ela peitava o miliciano e o vereador. Os dois [o miliciano e Marielle] chegaram a travar uma briga por meio de associações de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sapê. Ela tinha bastante personalidade. Peitava mesmo", revelou a testemunha, de acordo com o jornal.

Tanto Siciliano quanto Orlando negam que tenham planejado a morte da vereadora. No mês seguinte à publicação de O Globo, o miliciano foi, a pedido da Segurança Pública do RJ, transferido para uma unidade prisional de segurança máxima.

Inclusive, os dois suspeitos presos têm, segundo a polícia, estreita relação com a milícia de Curicica, chefiada por Orlando. Para investigadores da Delegacia de Homicídios, a dupla matou outros dois integrantes do grupo criminoso a mando do miliciano simplesmente porque havia a suspeita de um "golpe de estado" na quadrilha.

Ex-PM e miliciano Orlando de Curicica (Foto: Reprodução / TV Globo)

Ex-PM e miliciano Orlando de Curicica (Foto: Reprodução / TV Globo)

Resumo de delação:

08/05 - Testemunha diz que Marcello Siciliano (PHS) e Orlando de Curicica queriam Marielle morta.

Motivação seria avanço de ações comunitárias da vereadora na Zona Oeste.

Conversas sobre o crime teriam começado em junho de 2017.

Ex-aliado de Orlando citou, além de Siciliano e o miliciano, outras quatro pessoas.

Homem chamado "Thiago Macaco" teria levantado informações sobre Marielle.

 Fonte: G1

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