Fabrício Werdum explica saída da temporada da PFL e cogita aposentadoria

Contratado pela PFL como principal reforço para a quarta temporada da organização, Fabrício Werdum deixou o torneio de forma prematura após a polêmica luta contra Renan Problema. Depois de ser nocauteado, mas ter o resultado revertido para “No Contest” (luta sem resultado) após o adversário aparentar ter batido em desistência em um triângulo encaixado pelo Vai Cavalo, o gaúcho precisou se retirar da disputa pelo prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) depois de ser diagnosticado com um inchaço na têmpora.

O lutador conversou com o Combate.com nesta quinta-feira e disse já ter escondido muitas lesões ao longo de sua carreira, mas, aos 43 anos, considerou mais prudente cuidar da saúde desta vez.

– Fiquei bastante triste e realmente aconteceu aquela polêmica, ele bateu, disse que não bateu, ficou batendo no meu rosto e afetou bastante a têmpora. Nunca tinha tomado tanto soco na têmpora, que é um lugar muito sensível pelo que o médico me falou. Tomei suspensão médica de dois meses, mas sempre digo que ela dura até seu médico te liberar para lutar. O que sempre fiz a vida inteira foi esconder a lesão para poder lutar e não perder oportunidade de luta. Por vários fatores, às vezes pela parte financeira, oportunidade, momento importante da carreira. Tenho certeza que vários fazem isso até hoje de esconder a lesão, coisa normal, mas não falamos para ter a chance de lutar. Desta vez pensei melhor, 43 anos, quero estar mais perto da família e resolvi escutar o médico. Estava com muita dor na cabeça, senti bastante a lateral, fiz a ressonância, contraste, todos os exames, e o médico falou que não estava apto para treinar ou lutar. Desta vez escutei. Como as mães sempre dizem, saúde em primeiro lugar. Tem que dar ênfase ao que as mães falam – afirmou.

Fabricio Werdum  — Foto: Evelyn Rodrigues

Ainda segundo Werdum, caso descumprisse a ordem médica e prosseguisse na competição, novos golpes no local poderiam deixar sequelas no futuro. Sem poder treinar ou lutar, o atleta focou em seus novos projetos. Ele abriu uma loja de roupas e está perto de inaugurar uma loja de carnes, além de ter um canal no YouTube.

– Os riscos eram de, de repente, ficar com problema na cabeça, com “delay”. Acredito que não tenho “delay” nenhum por enquanto (risos). Às vezes tem alguma coisa que me esqueço, normal, minha esposa brinca comigo bastante. Médico até me falou que tem um tratamento, que não sei o nome exatamente, mas recupera muito a memória. Tenho alguns esquecimentos, óbvio, foram 23 anos lutando, tomei algumas pancadas. Ele falou que podia acontecer alguma coisa a mais, ficar com algum problema. Pra evitar esse problema, não quero estar com a minha família com “delay” de alguns segundos ou outro problema mais grave. Imagina uma pancada muito forte, outro nocaute em cima do outro? Estou com outros projetos, direcionei pra outro lado. Sempre estou na função. Por isso tenho o canal “Werdum não para”, porque não paro mesmo (risos).

Aos 43 anos e com a vida financeira bem resolvida, Fabrício Werdum deixou no ar a possibilidade de se aposentar do MMA, que é um pedido de sua esposa, Karine, mas disse ainda não ter tomado a decisão.

– Pode ser que eu pense melhor, tenho que conversar com meu mestre Rafael Cordeiro, meu irmão (Felipe Werdum), (Renato) Babalu, minha esposa. Óbvio que a decisão vai ser minha, 100%, mas tenho que conversar com todo mundo, falar com as pessoas que estão comigo. É uma decisão bem complicada, mas tem a possibilidade sim (de me aposentar). Minha esposa faz quatro anos que pede que eu pare. Eu falo que agora é a última. Estou há quatro anos falando q é a última (risos) – declarou, acrescentando que é difícil se aposentar.

– Estou numa fase… Fiz essa transição pro Brasil também, minhas filhas estão bem adaptadas. Elas não conheciam o Brasil 100%. Agora estamos nessa cultura de novo. Pode morar o tempo que for fora do Brasil, mas quando a gente volta pro nosso país é diferente. Estou muito feliz no Brasil, estão me valorizando bastante, meu nome está muito mais forte no Brasil do que em qualquer outro lugar, me reconhecem muito na rua, fico feliz. (Sobre a) Possibilidade de não lutar tenho que ver, tenho vários negócios acontecendo. Estou abrindo uma loja de carnes, hoje chega um carregamento de 12 toneladas de carne. A loja tem 400 metros quadrados, estou feliz com a loja de roupas, tem o canal também. Temos coisas pra fazer. Se for pela minha esposa, já paro, está bom. Muitos fãs falam também. Mas luto porque gosto, é difícil parar 100%. De repente rola uma super luta. O que mais gosto de fazer é lutar. Se fizerem uma boa proposta, não sei. Essa resposta é muito difícil dar, de que me aposentei, fechei a carreira.

Caso resolva seguir a carreira no MMA, Werdum acredita ser difícil que faça uma luta casada ainda nesta temporada. Ele revelou que seu contrato segue em vigor com a PFL e revelou o sonho de ter um card da companhia no Brasil.

– (O contrato) É por luta. Quem tem mais detalhes é meu manager, ele tem vários detalhes, mas sei que tenho contrato com eles de um ou dois anos, algumas lutas, mas sei que eles fecham duas lutas pra essa temporada, se não aconteceu, renova de novo pra próxima temporada, próximos eventos, lutas casadas também. Pretendo ficar com o PFL, de repente lutando ou como embaixador, divulgando, porque divulgo bastante o PFL. O PFL existe há muitos anos e é nível 100% de organização, tratam muito bem, me senti muito valorizado e por isso estou muito grato ao PFL. Tenho certeza que um dia traremos uma edição pro Brasil pra dar oportunidade a outros lutadores também.

Werdum ainda especulou a possibilidade de ter uma luta casada contra o campeão da temporada em seu próximo compromisso e apostou no russo Denis Goltsov para faturar o prêmio de US$ 1 milhão.

– A parte financeira está na boa, estou bem feliz com PFL, me valorizou muito. Sabe quanto você fica feliz e não quer renegociar? Muitas vezes aconteceu na minha carreira de renegociar sempre, desta vez é 100%, estou feliz da vida. Não tenho nada pra reclamar, deixa como está que está bom. Claro que com um grande nome… “E se o PFL quiser te colocar contra o campeão do GP?”. Eu vou aceitar. Mesmo q falem que é sacanagem, que vou lutar diretamente com o campeão, mas eu fiz meu nome pra poder ter essa possibilidade de fazer uma luta com o campeão de repente. Vou ficar feliz da vida, me dedicar três meses de novo para lutar com o campeão do evento, do PFL, que com certeza vai ser bom. Acredito muito no russo, que está muito bem. Vejo que será campeão do evento. Acredito muito – concluiu.

Fonte: Globo Esporte

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